Eu me perdi pensando nos olhos quase negros
Olhos que me inspiram e
dizem tanto
Mas de fato, deles nada sei.
Esse olhar que me acalma e
devora
Mas não sei como me vê.
A boca que me fascina, de sábias palavras
Boca de beijo quente, que
me perturba os sentidos
Carnuda e macia, que me tira o foco
Mas que nada
me diz.
Meu corpo tem marcas deixadas por suas mãos de desejo
Que me apertam e
me roubam um segundo de respiração
. Mãos fortes, maiores que as minhas
Tão hábeis, mas que nada me escreve.
Aquele corpo que tanto me diz
Que nada fala
E mesmo assim eu entendo
quase tudo
. Musa não sabe ser poeta
Não domina o campo do dizer
Notar,
engrandecer e criar.
Os olhos quase negros do homem que eu possuo
chamo de meu por abuso
chamo de meu por abuso
Pela posse da minha arte.
Que pelos meus
olhos o fiz musa
E pelos olhos dele
que hoje eu escrevo
O homem que possuo não é de falar
apenas Lê, sorri, me abraça e
beija.
|E grandes ficamos assim
tão pequenos em minhas palavras,
E para
sempre envaidecidos em meus versos.
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