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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Silêncios.

Antes, há algum tempo atrás, eu escrevia como quem fosse morrer, mas eu me encontrava em um lugar muito seguro. Pessoas elogiam minha coragem, e eu nunca conseguia entender. A minha exposição vinha de tudo aquilo que existia na minha cabeça, meus carrascos eram imaginários e os poucos que eram reais não existiam no mesmo mundo que eu.
 “Parabéns por se expor dessa forma, sem amarras com a possibilidade de magoar e principalmente por dar a cara pra bater.” 
Hoje, tendo a liberdade de sentir de verdade o que preciso passar para o papel, eu não consigo me expor. Existo em palavras, mas vivo em silêncios.
As palavras em minha alma entendem perfeitamente o estado do meu corpo, e com isso, elas me “perturbam” mais. Não existem mais textos vagando pela minha cabeça. Por fazerem parte de mim, conseguem entender todo o medo que existe, todo o risco que corremos. Como se ao escrever uma frase, pudéssemos perder o amor. Hoje eu consigo entender toda a covardia do sentir, que sem estar segura, eu não consigo me expor em mais nenhuma linha. Sinto-me como uma fraude, já que a coragem não existiu aqui quando eu realmente precisei.
Corri riscos e preferi calar. Silenciei aquilo que nunca me permitiu ficar sozinha. Hoje sou silêncios. É como estar no lugar mais lindo do mundo e preferir manter os olhos fechados.

Eu calei. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em mim.

Deita no meu corpo e me faz de colchão. Deita no meu corpo e vira meu cobertor. Dorme em mim. Do meu lugar consigo ouvir teu coração bater. Ouço o seu e sinto o meu. Batem em ritmos diferentes, mas na mesma sintonia.
Sinto o movimento da sua respiração, teus músculos relaxados e a sua barba a se mostrar existente quando pinica o meu rosto. Se por um acaso eu encontrasse um cobertor daqueles que abraçam a gente, sabe? E ele fosse o melhor do mundo, mesmo assim eu iria preferir ser a tua cama pra você ser o meu cobertor.
Eu iria preferir sentir tudo isso, mesmo com todo o medo, com todas as travas e coisinhas, minha preferencia continuaria sendo sua. Em ser sua.
O medo existe e ele quase sufoca, mas eu me lembro dos seus olhos e do jeito que você parece precisar de mim durante o seu sono, o jeito como seus olhos sorriem pra mim, como se chega querendo carinho e toda essa vontade que existe em mim de te fazer feliz.
Conversamos em segredo e dentro de um esconderijo o que eu deveria dizer em voz alta, num grito pra qualquer um ouvir, mas eu não disse e não digo.
Um monte de orgulho querendo vencer uma batalha. Mas a guerra já foi perdida. Como sempre, você passou com facilidade por todas as minhas barreiras e muros. E enquanto eu tentava organizar a linha de defesa, você se encontrava com o premio nas mãos e um sorriso no rosto. De forma simples venceu meu jogo e eu nem me dei conta.
Eu travei todos os textos que não deveriam existir, eu calei todas as palavras que não poderiam sair da minha boca. Chorei palavras. Me debulhei poemas e declarações.
Ando engolido algo que precisa sair. Precisa voar e aliviar o meu peito. Tenho curiosidade de ver a sua ao ouvir. Mas eu não digo. Eu travo, me escondo, engulo e calo.

Calo querendo dizer e sem coragem de falar.