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domingo, 29 de junho de 2014

Uma noite.

Era inteligente e timidamente charmoso. Gostei da cor dos olhos, do tom da pele e do cheiro. Algo acontece em algum universo paralelo quando você olha nos olhos de alguém pela primeira vez. Quando olha de verdade, olha querendo achar alguma coisa ali. Eu olhei e vi olhos tristes, com um ar de segredo e eu quis desvendar todos aqueles segredos.
Todo o assunto fluiu bem, com uma sincronia daquelas que precisam ser feitas à mão e com delicadeza. Ele falava com uma voz doce de quem tinha toda a certeza do que estava falando e eu observava o rosto dele enquanto meus ouvidos eram massageados por aquela voz.
Em certo momento, pegou um cigarro, colocou na boca e fez uma cara de mal enquanto acendia. Nesse momento eu parei de falar e só observei, na verdade, parei até de pensar enquanto meu corpo acendia. Esticou o braço e me ofereceu um cigarro. Eu estava há uns seis meses sem fumar, achava aquela marca forte e eu nem estava com vontade, mas eu simplesmente não consegui negar.  Ele ofereceu e eu passei a querer.
Eu sorria imaginando qual seria o gosto da boca dele, se os lábios eram tão macios quanto aparentavam ser, se as mãos grandes eram firmes. A noite deveria ser quente, mas foi agradável e até aprendi como o mundo deveria girar. A lua estava cheia e grande e descobri que algumas pessoas viam algo dentro dela. Olhávamos
pra cima enquanto eu aprendia mais sobre o assunto. Eu vi delicadeza naquele olhar e fiquei com medo de provar aquela boca no meio da explicação.

Chegou a hora de ir, eu olhei no fundo daqueles olhos mais uma vez antes de virar as costas, e certamente o sol nasceu de forma linda em algum lugar. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quinta e ultima carta

Essa você vai ler na minha frente, quero ver todas as suas caras.
Meu amor, eu preciso dos teus olhos
das tuas mãos que me auxiliam
do teu cheiro que entranha em tudo que é meu.
Preciso do teu eu, pra que minha poesia fique completa
do cheiro dos teus travesseiros, do seu xixi de porta aberta.
Necessito da sua compulsão em arrumar tudo o que é meu,
 da sua habilidade de podar todos os meus excessos.
Esse teu sorriso que deixa meu espirito calmo,
que faz de mim menos “muito louca”.
Já consigo me imaginar sentada na sua frente, nervosa, como se esse fosse nosso primeiro encontro. Te devorando inteiro, sem fazer a menor força pra disfarçar. Nessa hora, bem agora, você vai morder o lábio inferior, fazendo aquela cara que adoro. Você vai rir pra mim e eu vou rir de você. Nessas cinco semanas, eu percebi que eu posso viver sem você, que eu consigo; Mas sem você a minha vida não é minha, nada fica completo, eu não fico feliz. Eu ficaria só existindo, escrevendo saudades, utilizando suas palavras em meus papeis, sendo sua sem você ser meu.
 Olha só você, tão lindo. Meu anjo ajudador.
Quero grudar em você como uma sanguessuga as avessas, eu vou grudar e te passar todo meu amor, te passar meu sangue, minha vida. Quero te ajudar até nas organizações, quero fazer amor, sexo, mimimizinho, transar, meter, foder contigo em todos os lugares dessa casa, começando bem ai, onde você está sentado. Preciso te olhar nos olhos e deixar você ver o quanto eu sou sua. Não um "ser sua" da boca pra fora, mas um ser sua, de realmente ser um todo, dependente de você.
Eu quis um tempo pra mim, eu fui a busca que algo que me faltava e eu encontrei, curti, me esbaldei com a solidão. Mas sem você, até a companhia da solidão na solidão é chata. Você é meu melhor parceiro de solidão, de multidão... Meu melhor parceiro de vida. Olha pra mim, eu te amo tanto. Cada parte desse corpo está vibrando por estar tão perto de você.
E de tanto pensar em você, descobri que você é perfeito, por que minhas qualidades completam seus defeitos e as suas qualidades completam os meus. Somos perfeitos por que nos fazemos perfeitos. És perfeito por que habitas em mim, e o ato de ser tua moradia, cativa a perfeição em mim.
Deixa essa carta pra lá e vem pra mim
vem voltar pra tua casa,
 vem ser rei dentro de mim.