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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

460.

A dor se tornou palpável em alguma horas
tomando conta do meu peito inteiro.
As lagrimas escorrem como escolhe o destino.
Eu no meio disso tudo apenas me permito sentir.


Quando a fonte dos meus olhos cessa
Todo o meu corpo continua com o pranto.
A dor do fracasso vira algo físico e real.
Eu no meio disso tudo apenas tento me conter.


Algumas dores são incompreensíveis a olho nu
ao olho racional que tenta achar solução e explicação.
Me encontro sentado no chão da sala da minha alma
e as janelas permanecem abertas.


O vento vai levar pra fora o que não é meu
Sentirei a brisa no meu rosto sem lagrimas.
Hoje dediquei às lagrimas ao fracasso,
Mas sou feita de amor 
em mim existem muito mais sorrisos.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Travou.

Vez em quando
O choro é travado
Pelo nó que bloqueia a garganta.
Mas nem sempre adianta
O choro acontece na alma

Mesmo sem existir nos olhos.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O desenho dele.

Os desenhos não fluem com tanta facilidade, a ponta do lápis toca a folha branca e seus olhos encaram fixamente o papel quase virgem.
O corpo esta presente, mas a mente navega em outro plano, numa dimensão onde a vida é simples e a brisa é sempre fresca. Uma lágrima solitária rola pelo rosto enquanto a ponta do lápis machuca o papel. Quando ela finalmente percorre todo o rosto e cai na folha de papel, o pensamento até então contido invade a sala como uma ventania. A inspiração chega e arrepia a nuca, o coração batia acelerado e as mãos trabalhavam com afeto enquanto a mente tentava não lembrar. O rosto de João nascia naquele papel vindo de uma lembrança fresca, os lábios dela diziam "João" com a delicadeza de um peito que machuca por saudade.
Ela pensava e até conseguia ouvir a voz dele dizer "Ca-ta-ri-na", "Catarina", como se realmente ele estivesse olhando pra ela com aqueles olhos sempre afetuosos, como se aqueles lábios quase finos pudessem sorrir de volta, pudessem confortar o corpo e tranquilizar a alma.Ele veio consolar uma dor que ele mesmo causou, veio confortar um coração e segurar o orgulho que impedia as lagrimas de serem livres. 
João, João. Simples e bobo. 
A voz dele parecia invadir o corpo dela, esse corpo que era cheio de orgulhos e medos.
"Catarina. Linda. Minha, mesmo que só na vontade."
O desenho ficou pronto. João sério mas com olhos risonhos, exatamente como fazia quando estava prestes a dizer "Catarina" com a devoção.
As lagrimas nasciam em seus olhos num gesto de total desrespeito ao orgulho. Cah chorou sentada, pressionando a ponta do lápis contra o folha de papel até ela quebrar. Acendeu um cigarro e levantou, enquanto João a via partir mais uma vez. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um tempo passado

Era mais fácil quando eu era sozinha, não que eu tenha alguém agora, mas antes era mais simples.
Eu dormia todas as noites sozinha e na minha cama cheia de travesseiros. Eu não tinha ninguém mas eu me tinha, continuo sem ter ninguém, mas não me vejo muito por aqui. Não tenho o costume de não me ver, nunca aceitei isso com facilidade. O jogo é divertido, é gostoso, mas eu que estou em jogo, eu que estou ali exposta pra caralho. Eu que espero, que aceito, que entendo, que agrado. Eu que choro, morrendo de medo por não saber de nada.
Eu sou melhor sozinha por que eu cuido de mim, eu sei o que fazer quando eu estou me sentindo.
Sou melhor sozinha por que não gosto de pressionar ninguém, por que não quer ninguém obrigado ao meu lado. É triste quando tudo o que a outra pessoa pode te dar, é pouco pra suprir tudo aquilo que você precisa.
E é mais triste ainda não ter coragem de dizer e aguentar toda a carência sozinha, deitando na cama cheia de travesseiros e sentindo falta de um abraço, passando noites em claro.
Dormindo e acordando sozinha.
E sempre sentindo falta da minha companhia na solidão.

domingo, 10 de junho de 2012

Meus pedaços pela rua.


Hoje eu me arrumei pra você, fiz unhas, cabelo, separei a roupa, fiquei linda pra você. Fiz isso tudo chorando por que realmente achei que seria a ultima vez. Sentei no sofá e chorei de novo, só que dessa vez com mais vontade, eu tinha esperanças que as lagrimas secassem e que quando eu te visse, eu poderia estar linda e com cara de forte.
Fui andando até o metro fazendo força pra manter a classe, eu não iria sair chorando pela rua, mas eu estava com tanto medo de perder você que eu deixei uns pedaços meus caírem pelo chão, não tive tempo pra voltar e buscar, eu estava fazendo muita força pra não chorar.
Eu nem sabia se estava fazendo a coisa certa, se eu realmente deveria até você e me abrir mais um pouquinho, te mostrar mais um pedaço do meu coração de moça. Passei muito digna pelas estações de metro que me levam ao seu bairro, não chorei, mas o caminho foi triste e normalmente ele costuma ser tão feliz.
Cheguei antes de você, como de costume. Eu olhei pra rua e estava chovendo e eu chorei de novo, ali em pé no meio de pessoas estranhas que me olhavam, eu não me importei, estava mais preocupada em me recompor pra quando você chegasse.
Você chegou, eu te abracei com o corpo e te beijei com alma. Fomos de mãos dadas de baixo do seu guarda chuva grande, eu grudada em você e morrendo de medo que você me escapasse pelos dedos. O silêncio era perturbador e fazia toda a força do mundo pra não chorar, então pedi pra você falar sobre qualquer coisa só pra eu ouvir sua voz e parar de ouvir minha cabeça. Você zombou das minhas mãos frias e eu morri de medo que você não fosse mais esquenta-las.
Sentamos e eu me enfiei no teu peito, me aconcheguei e chorei, eu estava com tanto medo de nunca mais ter aquele abraço. Você me abraçava e pedia calma, secava minhas lagrimas que rolavam pesadas pelo meu rosto. Você me beijava e eu sabia que já estava chegando a hora. A minha vontade era de agarrar nas suas pernas e dizer:
Não vai, por favor! Eu estou com medo de você não votar.
Cada lagrima que chorei foi uma frase que não consegui dizer, já que quando choro ele vem e dá um nó na minha garganta. Quando eu chorei sem te olhar é por que a minha cabeça fervia de coisas lindas pra te dizer, daquelas que não você se importa, mas que eu sinto e te escrevo do mesmo jeito. Eu apertava forte tua mão e pedia cigarros. Usei meu humor acido pra fazer piada da coisa toda, mas era só eu te olhar nos olhos que meu coração apertava e ficava morrendo de medo. Eu me agarrada no teu pescoço e chora mais um pouco, dizendo que você não tinha culpa de nada, que a vida é assim existem certas coisas que não dependem de nós.
Chegou a hora e você foi me levar na estação, foi a caminhada mais triste da minha vida. Eu apertava sua mão e sentia mais uns pedaços meus caírem pelo chão. Eu estava a 3 minutos do abraço que poderia ser o ultimo, do beijo que poderia finalizar alguma coisa. Eu já estava morta de vergonha, minha cabeça doía e eu só queria que você ficasse. 

sábado, 26 de maio de 2012

Não tenho um titulo pra esse.


Eu disse que os meus olhos ardiam, deve ser por que chorei grande parte da noite. Não te culpei em momento algum, mas senti muito a sua falta. Não consegui direito me livrar do medo e da culpa, culpa que eu mesma coloquei em mim. Chorei baixinho, alto e até de soluçar, chorei escondido embaixo do travesseiro. Chorei sim, mas sem aceitar as lagrimas. Eu comecei a me culpar por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto (Fazia tempo que eu não chorava por medo de perder alguém.), mas como alguém conseguiria te conhecer sem se apaixonar por você?
Eu comecei sem medo, achando que ia saber lidar. Às vezes eu consigo até acreditar que eu sou forte. A brincadeira ficou seria e eu não consegui mais desder do brinquedo.
Meus olhos ardem e minha cabeça doí de tanto chorar, eu ousaria supor, se é que essas lágrimas eram reais, mas não foi por causa de você. Você só me arranca suspiros e sorrisos. Você me faz rir igual uma boba, sem motivo algum, me deixa feliz.
Mas meu destino brinca de contar sempre a mesma história, brinca de rir de mim. Destino assombrado e repetido.
É bom pensar em você, desejar você e contar os dias pra poder estar nos seus braços. Você é o homem mais incrível que eu já conheci!  Caso seja necessário, não sei de que forma vou te arrancar da minha rotina, principalmente, por que eu não quero tirar você de lugar nenhum.
Gosto de ser sua... Puta ou não. Quando eu estou presa nos teus braços eu me sinto segura.
Não sei ao certo como as coisas serão daqui pra frente, tenho medo de pensar. Mas sei que vou me acostumaria, nunca permitira que o meu verão ressecasse o seu jardim, mas confesso preferir me acostumar a deitar debaixo de todos os planetas com você.
Ontem eu queria devorar sua presença, te queria ao alcance das mãos, braços e pernas. Ontem que queria ser sua de todos os jeitos. E hoje eu continuo desejando te olhar nos olhos e sentir sua pelo suada na minha.
Gostaria de não ter inseguranças pra ter vontade de escrever isso, não queria achar que tenho motivo pra isso, mesmo sem ter ou tendo. Acho que nunca tinha sido tocada da força como você me tocou, você cativou algo em mim.
“Eu não sei ele sabe o que fez, quando fez o meu peito cantar outra vez.” – Chico B.
Preciso me conter e acalmar essa vontade que eu sinto de te fazer feliz, de espalhar sorrisos pelos seus dias e encher a sua vida de poesia, te tocar do jeito mais lindo. Entregar-te meus versos, tão seus. De te mostrar que você é realmente um homem incrível, bem do jeito que eu te vejo, mesmo com meus olhos ardendo.  Não sei o que pensar, já que muito tempo não tivemos e eu me encontro assim, te desejando de tantas formas. Dizem que essas coisas não precisam de tempo exato pra acontecer, mas de qualquer forma, peço desculpa pelos meus excessos, pela intensidade que me escapa pelos dedos, não sei controlar.
Perto de você, meu corpo fica agitado e eu tenho vontade de te rasgar e devorar inteiro, te resumir a um corpo exausto, e eu do seu lado, tão satisfeita e feliz.
As vontades são igualmente intensas, e algumas tão urgentes.
A de te fazer rir, de desafiar teu ego, de te engrandecer, de sentir teus diferentes perfumes, mas todos sempre tão seus. Das caras de doido que faz quando esta pensando em algo.  O desejo de ver a cor dos seus olhos de acordo com a iluminação. De sentir suas mãos me dominarem e desfalecer de prazer nos teus braços, de tremer sem controle com seu corpo pesando nas minhas costas, de ver suas caras, suas mordidas de lábio enquanto eu controlo por cima, te fazendo e sentindo você tremer. Do mesmo jeito que eu desejo dormir e acordar no seu peito, de te dar beijo de bom dia e te esquentar com meu corpo, mesmo as minhas mãos e meus pés sendo frios.
Eu te desejo tanto, e assim de muitas formas. Meus olhos ardem e minha cabeça doi. Sinto-me frágil assim, tão sua.
E por fim peço desculpas, minhas sinceras desculpas. Não queria ser intensa assim, mas não sei ser de outra forma, te entupo de textos, pra te dizer as coisas que sinto. Mais um texto seu, nosso ou de todos. Acho que não sei me expressar bem por outro meio.
Sou alguém que sente demais, e ainda não saber ser tudo aquilo que é.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

As lagrimas secas do meu orgulho.

Ele achou melhor irmos jantar, precisávamos resolver as pendências, dar um jeito nessas pontas soltas de nós dois. Eu não tinha o que dizer, só queria saber como as coisas seriam dali em diante.
Meus passos eram sem rumo, eu realmente estava perdida. Veja bem, eu o amava. A palavra nunca foi minha amiga, mas o orgulho sempre foi o meu companheiro. Ele disse que ia embora, e eu não debati, calei. Quem era eu pra exigir que ele ficasse? Eu sou Alice Morgado, e eu não imploro atenção pra ninguém.
Ele me olhou nos olhos, como quem quisesse ser impedido. Eu não conseguia expressar nenhuma reação. Eu era um corpo de mulher em pé, com uma mente fazendo força pra não explodir de tanta dor. Meus olhos secos demostravam uma falsa apatia, mas por dentro, eu cantava “atrás da porta” pra ele. Eu até quis fazer alguma coisa, mas estava paralisada, sendo torturada internamente. Ele esperou alguma reação, e a única que eu tive foi a de não reagir.
A porta se fechou e eu fiquei sentada atrás dela. Depois de duas horas, eu ainda estava lá, chorando. “E agora, o que faço eu da vida sem você?”
Eu não o procurei, nem pedi pra que volta-se, mas eu nunca o neguei nas diversas vezes que veio até mim. Tentei segura-lo com as minhas pernas, quis prende-lo pelo estomago. Até no coração dele eu quis me esconder, mas nunca o convidei pra ficar.
Eu me arrumei como uma menina que se arruma pra um primeiro encontro. Fiz respostas prontas, demorei dias escolhendo uma roupa. Cheguei a chorar achando que voltaria a acordar ao seu lado. E lá estava eu, com uma pontualidade completamente fora do comum. Fui recebida com um sorriso, “aquele assim, meio de lado, louco por você”, e eu senti medo.
Durante  jantar, eu fui chorar no banheiro três vezes. As minhas palavras de defesa foram totalmente silenciadas, eu olhava pra ele e via meu chão indo embora. Ele disse que me amava, mas que não tinha mais volta, que aquele jantar seria o ultimo. Justificou dizendo que não aguentava mais ser alvo da minha falta de sentimentos. Disse que eu era fria e que a falta de importância que dava pro nosso relacionamento era ridícula! Questionou-me sobre as vezes que ia em casa e eu nunca pedia pra ele ficar, o tratava como um rei, mas nunca fazia questão da companhia dele. Nesse momento, eu senti um nó no peito, quis sacudi-lo, dizer o quanto o amava e explicar tudo, mas em vez disso, eu fui embora. Ele queria que eu me humilhasse e isso não ia acontecer. Eu fui embora, deixei o amor da minha vida pra atrás, sentado em um restaurante. Depois disso, eu nunca mais fui feliz de verdade. Não por estar sem ele, mas por ter sido incapaz de tentar o fazer acreditar que ele é o meu mundo. Hoje sou uma “sem teto” orgulhosa, mas não me orgulho nada disso.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Segunda carta.

Oi amor, colei uma foto nossa na parede, nossa que péssimo jeito de começar uma carta. Você deve estar rindo, fazendo que não com a cabeça e pensando: Mas é mesmo uma doida. E agora, você está rindo de novo, mas dessa vez mostrando os dentes, rindo gostoso por que eu sabia o que você ia fazer sem nem mesmo estar perto. Eu te amo. Estou com uma saudade de te dizer isso. Está uma delicia falar sozinha pela casa, sem ter você me perguntando pra quem era aquela falação, pra você ou pra mim mesma. Mas, eu sinto muita falta das nossas discussões pelas vezes que eu estava falando contigo, e você pensando que eu estava falando sozinha, me ignorava. Nossa, como eu ficava revoltada, e você meu amor, ficava tão confuso... Mas no fim a gente sempre ria, morríamos de rir as custas das minhas doideiras e da sua paciência. Já faz duas semanas que estou aqui, confesso estar amando cada dia mais, ando escrevendo bastante, lendo muito e comendo mal, que preguiça de cozinhar só pra mim.
Ah, voltando a nossa foto, á encontrei dentro de um livro que você me deu a uns dez anos atrás, da época que éramos amigos. Você deve se lembrar do dia que a tiramos, por que eu não me lembro. Lembro da época, você com um cabelo super estranho, e eu, magrela com cara de revoltada.  E você vai sorrir e dizer que eu ainda tenho cara de revoltada, e agora, eu estou sorrindo. Como isso acontece hein? Eu acabo te sentindo perto, sempre. Eu te sinto aqui. Na quinta, eu cai no corredor, fui correr e cai. Fique a vontade, pode rir. Eu ia pro quarto e quis ir correndo, eu tinha tido uma boa ideia, e não sei como, mas eu embolei com os meus pés e cai. Fez um barulhão e eu esperei sua risada e só tinha silêncio... Dessa vez eu chorei sem rir, foi triste e eu ainda fiquei com um baita hematoma no joelho. Fui pro quarto mancando, tinha esquecido a tal boa ideia e já estava achando que essa não era uma boa ideia. Quase voltei pra casa, juro. Mas eu pensei melhor, fui dormir.
Eu te amo tanto Vinicius. Te fiz poesias, mas só te mostrarei em casa, na nossa casa. Todas muito bobinhas, algumas te farão rir, tenho certeza. As que eu mais gosto, escrevi chorando e sei que você não ligará muito pra essas. Não se sinta mal por isso.
Neném, eu te amo, te amo, te amo. Sei que você odeia que eu te chame de neném, mas eu estou longe e com saudade, tenho esse direito!
Segunda semana sem você, segunda semana sozinha. Segunda semana sem sexo. Segunda carta.
Esta tudo ficando muito claro pra mim, mas essa clareza esta longe de ser esclarecedora.
Amor, Vi, Neném, Ursinho e todos aqueles apelidos fofos que te irritam, eu te amo.
Mil vezes te amo. Mil beijos.
Sua Adriana, seu amor.