Mostrando postagens com marcador sentir. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentir. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em mim.

Deita no meu corpo e me faz de colchão. Deita no meu corpo e vira meu cobertor. Dorme em mim. Do meu lugar consigo ouvir teu coração bater. Ouço o seu e sinto o meu. Batem em ritmos diferentes, mas na mesma sintonia.
Sinto o movimento da sua respiração, teus músculos relaxados e a sua barba a se mostrar existente quando pinica o meu rosto. Se por um acaso eu encontrasse um cobertor daqueles que abraçam a gente, sabe? E ele fosse o melhor do mundo, mesmo assim eu iria preferir ser a tua cama pra você ser o meu cobertor.
Eu iria preferir sentir tudo isso, mesmo com todo o medo, com todas as travas e coisinhas, minha preferencia continuaria sendo sua. Em ser sua.
O medo existe e ele quase sufoca, mas eu me lembro dos seus olhos e do jeito que você parece precisar de mim durante o seu sono, o jeito como seus olhos sorriem pra mim, como se chega querendo carinho e toda essa vontade que existe em mim de te fazer feliz.
Conversamos em segredo e dentro de um esconderijo o que eu deveria dizer em voz alta, num grito pra qualquer um ouvir, mas eu não disse e não digo.
Um monte de orgulho querendo vencer uma batalha. Mas a guerra já foi perdida. Como sempre, você passou com facilidade por todas as minhas barreiras e muros. E enquanto eu tentava organizar a linha de defesa, você se encontrava com o premio nas mãos e um sorriso no rosto. De forma simples venceu meu jogo e eu nem me dei conta.
Eu travei todos os textos que não deveriam existir, eu calei todas as palavras que não poderiam sair da minha boca. Chorei palavras. Me debulhei poemas e declarações.
Ando engolido algo que precisa sair. Precisa voar e aliviar o meu peito. Tenho curiosidade de ver a sua ao ouvir. Mas eu não digo. Eu travo, me escondo, engulo e calo.

Calo querendo dizer e sem coragem de falar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Que o relógio esconda a poesia

A minha cabeça funciona de forma complicada, o meu grande erro é me conhecer demais. Vou reconhecendo certas atitudes e fingindo que não sei de nada. Fecho os olhos bem no meio de uma curva na estrada. Talvez exista um pouco de covardia em mim, ou muita, já que eu mal consigo aceitar a existência dela. Me finjo de cega até onde dá, mas em certos dias, eu não consigo.
Ai eu fico assim, escrevendo um texto nas entrelinhas, falando sem dizer nada e ainda sem coragem de abrir a boca.
Os pensamentos fluem sem minha ordem, coragem vem e eu não a escondo.
Hoje poderia ser um dia comum, mas o destino quis que fosse um mau dia.


Que o tempo não se prenda.
O relógio esconda a poesia.
O olhar não tenha reflexos.
E o infinito seja visto.

Que a maquina de escrever
dê vida ao livro em branco.
A parte em branco ganhe vida.
Que o lírio se perca entre estrelas.

Que a caminhada ao vendo
liberte os pássaros presos por ai.
Que ao encontrar a arvore, eu possa balançar
e recordar da caveira coroada.

Mesmo depois do tiro da 9 mm,
e do incio, quando assumi de onde vim...

Mesmo depois de tudo, o  texto continua escondido.