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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em mim.

Deita no meu corpo e me faz de colchão. Deita no meu corpo e vira meu cobertor. Dorme em mim. Do meu lugar consigo ouvir teu coração bater. Ouço o seu e sinto o meu. Batem em ritmos diferentes, mas na mesma sintonia.
Sinto o movimento da sua respiração, teus músculos relaxados e a sua barba a se mostrar existente quando pinica o meu rosto. Se por um acaso eu encontrasse um cobertor daqueles que abraçam a gente, sabe? E ele fosse o melhor do mundo, mesmo assim eu iria preferir ser a tua cama pra você ser o meu cobertor.
Eu iria preferir sentir tudo isso, mesmo com todo o medo, com todas as travas e coisinhas, minha preferencia continuaria sendo sua. Em ser sua.
O medo existe e ele quase sufoca, mas eu me lembro dos seus olhos e do jeito que você parece precisar de mim durante o seu sono, o jeito como seus olhos sorriem pra mim, como se chega querendo carinho e toda essa vontade que existe em mim de te fazer feliz.
Conversamos em segredo e dentro de um esconderijo o que eu deveria dizer em voz alta, num grito pra qualquer um ouvir, mas eu não disse e não digo.
Um monte de orgulho querendo vencer uma batalha. Mas a guerra já foi perdida. Como sempre, você passou com facilidade por todas as minhas barreiras e muros. E enquanto eu tentava organizar a linha de defesa, você se encontrava com o premio nas mãos e um sorriso no rosto. De forma simples venceu meu jogo e eu nem me dei conta.
Eu travei todos os textos que não deveriam existir, eu calei todas as palavras que não poderiam sair da minha boca. Chorei palavras. Me debulhei poemas e declarações.
Ando engolido algo que precisa sair. Precisa voar e aliviar o meu peito. Tenho curiosidade de ver a sua ao ouvir. Mas eu não digo. Eu travo, me escondo, engulo e calo.

Calo querendo dizer e sem coragem de falar.

domingo, 26 de agosto de 2012

Bom dia


Quando eu me deito numa cama que não é nossa, na cama que é só minha e o único vestígio do teu cheiro que ela tem esta na minha pele, eu sinto certo desconforto que não consigo explicar. Meu corpo sente a tua falta pelos poros, falta da sua pele junto da minha. Inicialmente eu rolo de um lado pro outro, tento achar uma posição e pego mais travesseiros, mas eu quero mesmo é deitar no teu braço quentinho e sentir teu peito nas minhas costas. Eu me lembro dos detalhes, dos pequenos e do jeito que eu me sinto assim que eu acordo e antes mesmo de abrir os olhos, eu sinto sua pele junto da minha. Nem sempre acordamos abraçados, mas sempre com alguma parte do corpo junta. Eu nunca canso de lembrar das coisas, minha mente ferve de lembranças e eu sorrio. Sorrio dos jeitos mais confortantes possíveis. Lembro-me de como gosto que você deite na minha barriga pra eu te fazer carinhos, tirar todos os seus cachinhos e ficar observando o quanto você é lindo. Ver televisão em silêncio de mãos dadas, deitada no meu peito e ouvindo sua barriga falar. O quarto frio fica quente, nossos corpos se aquecem meu corpo treme, teu corpo treme. Minhas unhas te deixam marcas, marcas do bem que bem que faz, de como me sinto viva e cada dia mais mulher, mais tua.
O tempo que passa rápido, tão veloz e implacável, se torna mais lento quando nos beijamos, quando sinto sua boca tão macia acariciando a minha, nossas mãos entrelaçadas sempre com um singelo carinho, um conforto.
Tento te explicar como me sinto feliz e a forma como me acalma e faz meu coração bater no compasso, sem pressa. Você me faz cocegas e sorrio tão feliz, tão entregue.
Meu corpo esta cansado, mas minha mente esta em paz, tão calma e leve. Visto tua blusa e agarro meu travesseiro, e com todo o carinho eu imagino o seu cheiro, lembro do teu semblante calmo quando dorme e dos teus olhos quase negros que tanto me acalmam.
Agora eu durmo, durmo com meu corpo ainda em brasas pelo teu calor que ainda queima em mim. Dormirei de forma mansa, mas ainda sentindo sua falta na cama, sentindo falta do amor que foi feito, mas ainda tenho marcas no corpo pra manter a chama viva. Durmo porque daqui a pouco você acorda e eu ou acabar acordando também. Acordar pra dormir de novo, mas agora com a paz que o teu “Boa noite” me trás.