Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Há vagas.


Algumas tardes tem o propósito de fazer o nosso cérebro pensar todas as coisas que evitamos ao máximo assumir a existência, aqueles pensamentos que de tão reais, precisam apenas ser ditos em voz alta para que se materializem na nossa frente. A tarde esta tão bonita que eu realmente deveria ter ido à praia, meu coração me disse para ir à praia. Esse céu tão azul, a ausência de nuvens e esse sol quentinho fariam um bem enorme ao meu interior. Mas eu não fui, fui vencida pela preguiça e estou aqui tendo que encarar coisas que procuro não olhar.
Não gosto de me sentir assim, ter todos os meus erros detalhados pelo próprio cérebro e saber exatamente onde errei e tenho errado. Nunca fui uma mulher ingênua, essa faceta nunca combinou com a minha personalidade, mas a vida me colocou aqui com as minhas próprias pernas e com uma bussola nas mãos. Não tenho ninguém e tenho dois. Ninguém me abraça na hora de dormir, mas pertenço a dois. Cada um tem uma metade mim nas mãos, e as minhas continuam vazias.
O André me disse com todas as palavras que eu era maravilhosa, mas que eu tinha chegado na hora errada na vida dele. Achei aceitável, já que tenho experiência com esse tipo de atraso, e mesmo com o atraso grosseiro, ele insiste em ficar, em sumir por muitos dias e sempre aparecer com um sorriso no rosto e com alguma coisa na outra mão que me fizesse sorrir. Ele some, mas sempre volta e eu aceito, já que acabo ficando os o melhor dos mundos. Ou pelo menos, o melhor mundo que posso comprar com aquilo que estou disposta a aceitar. Vem, mas nunca dorme, tem sempre uma pressa, um lugar para ir, sempre tem alguém esperando. Ele sabe que eu estarei aqui.
Eu me apaixonei sabendo que não deveria, sabia que deveria ter me atentado aos detalhes, porém, ele tem um cheiro bom e alguma coisa naquele sorriso realmente me prende e eu não tenho forças para ir para nenhum outro lugar. Me vi ficando na mão dele, passo a passo, milimetro a milimetro. Mas ele sempre tinha uma desculpa para não me apresentar para os amigos ou ir jantar comigo. Um clássico amante de privacidade. Sem sombra de dúvidas, eu andaria com ele de mão dadas na rua, na terra, no mar. Eu ria a qualquer lugar, já que segurando aquelas mãos, eu tinha a certeza que poderia dominar o mundo. Quando me viu na mão, me guardou no bolso e eu aceitei. Que tipo de gente aceita um bolso? Provavelmente alguém que acredite caber nele.
O Felipe me disse que estava amando me conhecer, que eu era uma das mulheres mais incríveis que ele já tinha conhecido. Era artista, sensível e adorava me olhar. Certa vez, ele contou todas as pintas do meu corpo, tenho cento e oitenta e quatro sinais espalhados. Um desbravador que se orgulhava de cada descoberta. Os olhos dele me olhavam com fome, me viam como alguém que realmente merecesse toda aquela atenção. Suas mãos funcionavam como a chave mestra do meu corpo, não existia nada que eu o negasse. Os olhos verdes prendiam minha atenção e abriam a porta da minha alma.
Quando estávamos sozinhos, eu me sentia a única mulher do universo, como uma deusa adorada. Ninguém ousaria duvidar da minha divindade, e eu acreditei ser deusa, ser dele. Eu quis morar naquele peito. Ousei a crer, que finalmente eu tinha tido sorte, que esse fosse melhor que primeiro, mas não, era apenas diferente. Eu era única, apenas quando estávamos juntos, e quando não, ele estava por ai exaltando e descobrindo novas divindades. Fazendo dele quase um rei. O rei verdadeiro que chora e fala sobre sentimentos abertamente. E esse também era amante de privacidade. Sempre me questionava se os rótulos eram realmente necessários. Bem, para mim eram.
Como meu espírito é otimista, me convencia que estava na melhor situação que alguém solteiro poderia estar, ter dois parceiros incríveis, únicos e ainda continuar podendo sair com quem eu quisesse. Mas nessa tarde, nessa porra de tarde, eu me estou me questionando se era isso mesmo que eu queria. Se eu realmente mereço não ser aquela pessoa que muda tudo na vida de alguém. Poderia até fugir e não deixar as coisas chegarem a esse ponto, mas preferi apenas aceitar o que me foi oferecido. Um grande punhado de coisa nenhuma. Eu quero rótulos, eu quero ter alguém que me assuma e faça o melhor dos mundos ao meu lado. Quero ser o suficiente. Estou insegura e não tenho para quem ligar, se quisesse foder, possivelmente teria. Mas ninguém quer saber das minhas inseguranças, dos meus medos. Ninguém liga para o meu coração repetidamente partido. Eu mesma procuro não pensar, afinal, eu vivo no melhor dos mundos. O melhor mundo de merda. Sou a rainha iludida desse reino. Preciso apenas fingir que não faço questão de nenhum dos dois. Fingir com tanta força, ao ponto de começar a acreditar também.
Talvez, se eu realmente fosse uma mulher maravilhosa e com todas essas coisas incríveis que os dois insistem em me apontar, alguém ficasse aqui comigo. Me olho no espelho e vejo alguém que mente, alguém que vai mover mundos e fundos para agradar quando um deles ligar dizendo que esta a caminho da minha casa. Quando por algum motivo, a saudade ou o tesão acentuar e um queira vir um pouco no hotel de estrada que se tornou o meu coração. Apenas necessário por algumas horas, por alguns momentos e logo após, seguem seus rumos. Rumos que nunca levam a mim.
Estou sozinha agora, solteira e feliz como todo mundo acredita, desapegada como todo mundo acha. Sofrendo por homens que não tem a coragem de me beijar em público, já que não mereço tanta moral assim. Tenho duas metades, mas elas não formam um inteiro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Avesso

   Sonhei que alguém entrava no meu apartamento e despertei as três horas da manhã. Quem mais eu poderia achar que seria? Levantei contente e fui te encontrar, eu fui sorrindo, durante esses dez segundos tive alegria, acreditei que você realmente estaria ali e esqueci que você não quis mais fazer parte da minha vida. Eu cheguei na porta e não tinha ninguém. Eu me vi tão descartável ali em pé, sozinha sentindo o maior vazio do mundo, e não importava as formas que tentasse me confortar, nada adiantava. Você não estava ali e era só de você que eu precisava... Daquele sorriso e do beijo na testa. Mas não tinha mais nada, eu estava sozinha na sala olhando pra marca na parede daquele quadro horroroso que você decidiu colocar na minha sala. Mais uma vez ficou claro que você não vinha e eu nem sabia por onde você andava. Eu chorava como se alguém tivesse morrido, gesticulava como se implorasse pra minha cabeça parar de me torturar com tantas lembranças e possibilidades.
   
Deitei no sofá e coloquei a mão sobre o meu peito como uma forma de evitar que ele saltasse dali, meu coração batia forte e a cada batida eu desejava você. Desejava do jeito mais clichê possível. Apenas uma real presença.  Já era mais que claro que você não me ama mais, a sua vida seguiu, você esta em outras, mas eu ainda estou aqui esperando você voltar. Tentei buscar algo com teu cheiro, que fosse palpável e eu pudesse acreditar que aquilo realmente existiu, mas o que não levou, eu destruí. Você continua existindo dentro do meu corpo com tantas lembranças, parece exagero, mas você esta aqui o tempo todo. Como se fosse um fantasma, eu sinto sua presença, e isso faz com que eu fantasie uma realidade que não existe mais. Sou assombrada por alguém que nem sente falta da minha voz.    Ainda tenho vontade de te contar meu dia pra alguém que não me atendeu a ultima vez que eu liguei.
   Minhas humilhações não tem plateia, são coisas silenciosas, desesperos de alguém que está com saudade.  Não importa o que eu faça ou com quem eu tente dormir, é você que esta fazendo falta aqui. Estou faltando um pedaço, aquele que você arrancou de mim quando separava nós dois. Pelo menos me devolve ele. Passei anos ao seu lado, teu espaço foi conquistado. Como você conseguiu abrir mão de nós dessa forma? As coisas não fazem sentido. Sei que não tem como justificar um amor que acabou, mas preciso. Eu preciso seguir a minha vida e parar de acordar de madrugada com um coração feliz achando que você esta chegando. E principalmente parar de pensar em você e eu como se ainda fossemos um casal.
    Eu prometi que não ia mais te procurar, e certamente não vou mais. Não tenho mais espaço pra me magoar com seu descaso. Eu só queria que você sumisse da minha cabeça. E mesmo depois de parar de chorar,  eu ainda estava em pedaços, E eu não me quis daquele jeito. Hoje eu vou sair com a minha cara de quem já supero e como decidi não falar mais sobre você com ninguém, as pessoas conseguem ver uma força em mim. Vou beber e talvez eu consiga te esquecer por umas horas, em outras bocas com certeza, mas meu corpo ainda recusa mãos que não são as suas. Eu insisto, não posso parar de tentar abafar o escândalo que a sua ausência faz dentro de mim. Eu vou aproveitar a noite, pois quando eu voltar você vai continuar não estando aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Lições de amor.

Quando eu consegui entender o que era amor, a primeira lição que tive foi que ele machuca. Nossa como feria algo tão bonito que fazia estragos indescritíveis em um coração tão pequeno.
 Lição numero um: O amor pode te machucar muito.
A segunda lição foi um pouco mais difícil de aprender, pois eu precisava de maturidade pra aceitar aquilo, mão importava o quanto eu tentasse, me mudasse ou insistisse você não ganha amor se humilhando por ele. Não importa o quanto você precise, tem vezes que ele simplesmente não vem.
Lição numero dois: Não adianta se humilhar pra receber amor.
Foram lições muito importantes pra mim, pois dessa
forma eu aprendi a tentar me preservar. Na infância é terrível tentar entender o motivo de não sentir o amor que você acha que merece. Merece por ser criança, ser filho, por ser pequeno. Ele às vezes não vem ou vem de uma forma que não supre o que você necessita. Não existe muito oque fazer, você vai precisar crescer assim mesmo, vai virar adulto e parar de falar sobre essas coisas, é constrangedor assumir que essas carências infantis ainda são tão vivas dentro de nós.
Algumas verdades não precisam ser ditas, palavras que ficam muito tempo dentro do peito se tornam altamente cortantes, ferem o espaço onde habitam e certamente fariam sangram o corpo de quem viesse a ser o receptor da mensagem. Palavras cortam fundo, um corte limpo e preciso, sangra tanto que o corte some em meio a dor a gente nem sabe direito qual lugar precisa da sutura.
Você é adulto agora, ninguém se importa se você se sente abandonado ou desamparado. Você se sente amado? Ninguém liga! A gente pode tomar umas cervejas em momentos de tristeza, rir com amigos, usar alguma coisas pra fazer passar tempo e o desconforto. Mas não esquece, né? Quando somos crianças, as tentativas de chamar atenção não são vistas, quando falamos ninguém escuta. A vida adulta chega e não podemos mais falar sobre isso.
Viramos adultos sem notar e as técnicas adolescentes e idiotas de chamar atenção não são mais justificáveis.  Agora você cresceu, tem uma formação, um emprego e esta pensando em construir família. Parabéns, veja o adulto legal que você se tornou!

Mas fica tranquilo, não vou contar pra ninguém que nas vezes que você precisa de colo, sente a dor piorar por sentir o abandono e a impotência por não poder fazer nada para que isso mude. Segredo nosso. Todo mundo se sente um pouco assim.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Você de novo.

 Poderia ser qualquer um. A campainha toca de um jeito longo e irritante, por meio segundo eu quase reconheci. Os questionamentos vieram de imediato, quem seria?  O porteiro não avisou, não deve ser ninguém, provavelmente a Teresa querendo conversar. Abri a porta sem nem conferir quem era e dei de cara com você. Não um “você qualquer”, você que era meu e que eu ainda sou sua. Você na minha porta com um olhar pacifico e eu pé, me segurando na porta porque o chão provavelmente iria se abrir sob os meus pés.
 Eu não consegui dizer nada, já que eu passei meses me treinando pra conseguir não chorar todo dia, a não te ligar pedindo pra voltar toda semana. Eu precisei me ensinar a recolher todos os meus caquinhos pelo chão e começar de novo, então eu não sei o que dizer. Claro que eu gostaria de abraçar você e sentir o cheiro e a temperatura da sua pele, beijar teu rosto inteiro, sentir a textura da barba e do cabelo. Conferir se as cicatrizes dos cravos já sumiram. Questionar se você anda se alimentando direito. Explicar detalhadamente como te arrancar da minha vida tem sido uma tarefa difícil pra caramba. Pois cada vez que eu tento, você se agarra em mim e eu preciso machucar minhas lembranças pra me livrar delas. E quando finalmente consigo arranca-las, percebo que não quero tira-las de mim. Então eu me seguro mais firme na porta e pergunto: O que você esta fazendo aqui? Vim te ver. Eu precisava.
 Precisava me ver. Logo agora. Logo hoje. Como o Fernando te deixou subir? Não pode querer me ver, não pode surgir assim de novo. Não pode chegar sem avisar. Meu cabelo está horrível, tenho certeza. Esse é o pior pijama! Eu não sei o que fazer, não sei o que responder e estou morrendo de medo. Medo da sua falta de certeza, medo de saber o motivo que te trouxe aqui. Medo de deixar você me tocar e sentir todo o meu corpo desmoronar, medo de deixar você entrar e o teu cheiro nunca mais sair do meu sofá, ou então, que o teu fantasma acabe preso nas minhas paredes. To com medo de abrir a boca e chorar até amanha, de confessar minha humilhante saudade e assumir em voz alta que estou perdida pra caralho desde quando você me deixou. Um medo absurdo de te ouvir. Medo de ouvir o som da sua voz ecoando pelo meu apartamento. Sua voz de verdade e não aquela que eu tento expulsar da minha cabeça.

Sei que vou acabar estragando tudo. Não vou conseguir ser forte e eu não quero te implorar pra ficar, pra voltar ou pra pelo menos ficar esta noite, e você fica ai me olhando com essa cara de quem quer entrar. Veja bem, eu já te deixei entrar uma vez e olhe onde estamos agora...

domingo, 7 de junho de 2015

Mas eu estou falando de amor.

    Se eu te perguntar sobre amor, qual vai ser a primeira coisa que você vai pensar? E a segunda? Caso fosse necessário fazer uma lista sobre pessoas amadas, em qual colocação o seu nome ficaria? Amor é um sentimento tão lindo, mas por algum motivo, deixou de ser prioridade ou motivo de reflexão. Quando falamos em amor, as pessoas tem dificuldade de entender que existem outros amores além do amor carnal e sexual e o principal: não se pode amar alguém se não existe amor próprio. Aquela alegria de olhar no espelho e ser quem se é.
    Pessoas perdoam os defeitos dos seus pares românticos, idolatram artistas (que às vezes nem fazem arte) ou dedicam muito amor pra um time de futebol, mas são incapazes de guardar um espacinho do coração pra se conhecer, se valorizar e se dedicar amor. Alguns chegam ao ponto critico de não se acharem dignos. O nosso coração é algo tão misterioso, que na maioria das vezes, essa sensação de falta de valor passa despercebido pras pessoas próximas. E por mais que os amigos tentem entender as atitudes sem sentido ou tentem explicar que certas coisas não devem ser aceitas, quem não se ama, vai entender migalhas como demonstrações de amor.
    Como alguém que não se acha digno de respeito e lealdade vai se incomodar por não receber isso do próximo? Como alguém que se acha tão inútil e chato vai dizer não ao outro, que quase numa atitude de bondade resolve lhe dedicar um pouco de “amor”? Ai não importa se esse amor causa dor, frustração, tristeza, inferioridade ou coisa pior, quando falta amor próprio, qualquer migalha, resto ou sobra se torna reconfortante. Um relacionamento abusivo se torna um premio do universo, um afago cruel.
     Gostaria de aprender uma técnica pra ensinar as pessoas que é necessário se amar antes de amar alguém, que é preciso conhecer o amor pra não cair no conto do vigário, pra não ser capacho de pessoas que só querem abusar da baixa autoestima dos outros. Se por acaso você se considera sem valor, mesmo sem te conhecer eu posso afirmar que você tem! Ninguém nesse mundo é mais merecedor do seu amor do que o reflexo que você vê no espelho. Mesmo falho, errante e com vários defeitos. Você merece amor. É digno de ser amado, valorizado e priorizado. Seja a pessoa que não aceita menos que o melhor. Quando você passar a se valorizar e respeitar, tudo isso vai voltar pra você. A mudança começa por dentro. Dê amor a quem mais merece.

domingo, 19 de abril de 2015

A poesia

Estar ao seu lado é uma junção de momentos poéticos e indescritíveis, uma realidade que eu nunca ousei pensar em viver. Parece algo muito além da compreensão e do meu talento em emocionar pessoas com palavras. Mas a poesia existe em muitos momentos, pequenos e grandes momentos, ela sempre está entre nós. Eu nunca te disse, mas sempre me emociono quando você me agarra pra dormir. Todos os dias eu me emociono e sinto um calor suave no meu coração, como se eu estivesse exatamente no lugar certo.
Ver a forma como você se aconchega no meu colo e ter a certeza que você se sente seguro aqui, me alegra, faz a alegria e a paz movimentarem cada célula do meu corpo. É gigante para o mundo e pequenininho pra mim, pois aqui, em mim, você sabe pode ser quem é. Somos dois pra enfrentar o mundo. Pensar em nós, em tudo que construímos e na sorte que temos me emociona. Algumas vezes as lagrimas saltam dos meus olhos. Lagrimas de alegria e gratidão, sabe? Arremessam-se no vento pra espalharem as boas novas do amor pra todo mundo.
Tudo o que sempre foi assustador se tornou natural, tão natural quanto a minha respiração ao escrever isso. Certas coisas precisam apenas acontecer, elas não podem ser forçadas. Como um anel que entra perfeitamente no seu dedo ou um uma chave na fechadura certa.
Todas as manhas quando meu despertador toca pra me acordar, e meu corpo toca no seu quando eu me movimento, eu sinto a paz de um reino inteiro. A paz de ser a rainha na cama do rei. A paz de ter o corpo abraçado pelo seu, num pedido diário de “fica mais um pouco, amor”. Quem poderia descrever esses sentimentos num texto. A felicidade é algo difícil de explicar, não existe um caminho ou uma receita. Um dia eu resolvi ser diferente, e tudo isso iniciou nossa construção de amor. Esse mesmo que foi nos fazendo superar medos, cicatrizou feridas e magoas, deu confiança e nos fez acreditar que o amor vale a pena.
Hoje minhas poesias são mudas, me são presenteadas no teu semblante tranquilo durante o sono, nas curvas do teu corpo calmo. São silêncios existentes em cada cuidado e principalmente, nos sorrisos que dou quando penso em nós.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Alma de outono.

O calor fere a carne
e me aprisiona
mesmo que eu vista
apenas a pele.

A brisa quente aguça o desejo de fuga
desejo o frio ou a chuva.
Padecer de calor em casa
é como um amor não correspondido.

Mas meu amor
espero que entenda
Não tenho culpa
nasci com uma alma outono.

Prefiro quando o suor
é culpa do teu corpo.
E meus movimentos quentes
fluem sem anseio pelo fim.

Quando eu, entregue
obedeço os comandos
e tenho uma brisa fria
pra acalmar o calor que tu me dá.

Entenda
é tortura não poder
ser tua cama
nem travesseiro.

Meu amor
minha alma é de outono
nasci na primavera.
mas sou tua
no inverno ou verão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Nego rei.

Teu cheiro gruda na minha cama
deixa a marca dos dedos 
e da tua boca na minha pele. 
Meu corpo responde aos teus comandos de um jeito quase servil. 
Como se reconhecesse as digitais.
Quando esta dentro do meu corpo, exerce o papel de rei do meu mundo. 
Realeza que controla meus gemidos
a intensidade da minha respiração 
e escolhe minhas posições. 
Não tem pena de mim
Só para quando não aguento mais
Quando meu corpo treme 
E minhas unhas te ferem a pele.

Eu sou sua. Afirmo com tom
De quem poderia repetir.
Te envolvo no meu corpo
Rei desse corpo.
No meu ouvido te conto segredos
Das minhas vontades.
Revelo meus planos. 
Imploro pra que não saia de mim. 
Teus dentes mordem minha carne
E eu quero ser tua descoberta.
Arrumo e deito com teu travesseiro
Às nove eu era sua, às vinte e três
Sou mais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Meu homem.

Teus olhos negros
De lua cheia,
Iluminam meu coração.
O sorriso compassado
em meus ouvidos

Como música
De amor.
Vejo teu rosto
Lembro do gosto

Da boca doce.
Amo o breu do teu olhar
Me encanto com a luz 
Que eles transmitem.



Teu corpo
Sendo meu

Sendo um

Sendo nós.
Um corpo.

Tua respiração ofegante
Tem melodia calmante.
O corpo quente
Me faz tremer e gemer.

Me olha agora
Vem junto comigo!

Forte!

Fundo!

Meu homem.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Neblina

Pelo movimento da poesia
num dia de praia sem vento
Nossa poesia flui por cortesia
sendo alimentada pelo cuidado.
As nuvens não resistiram a nós,
Nos seguiram e desceram do céu,
cobriram nossos corpos de orvalho
e eu te beijava em frente ao mar.
Os teus olhos refletindo os meus.
meu corpo em sintonia com o teu.
O sol  aqueceu nossos beijos.
Os nuvens subiram ao céu
atras das montanhas o sol se escondeu
Ficamos nós com a areia nos pés.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

No meio do abraço.

No meio do abraço
Bem naquele espacinho
Que divide o eu do tu
o tu do eu e é morada do nós.

Esse meu amor calado
Que ama travado,
E é preso num nó
Nó que o orgulho deu.

Meu amor habita
No meio do abraço,
Mora no meu pedaço
Mas vive querendo ir pro seu.

Veio no tempo exato
Mas errou o pouso
Existiu em mim
Quando deveria existir em nós.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Brincar com fogo.

Jurei que morreria de saudade nas primeiras noites que passei sem você. Não era sem o teu corpo ou a tua voz, era uma ausência definitiva, você não era mais meu. Por um descuidado do destino eu ainda era sua, e como você não existia mais na minha vida, eu fiquei só.
As noites se tornavam infinitas, o sono fui substituído por lembranças boas e uma necessidade sem fim de entender onde eu comecei a te perder. Você não estava mais ali.
O corpo inquieto e confuso, parecia buscar o teu afago e eu não conseguia conter o meu inconsciente.
Por inúmeras vezes pensei em te ligar e implorar um pouco mais, me humilhar um pouco mais e algumas vezes eu o fiz. E o tom da sua voz piedosa, me partia um pouco mais.
Me tranquei a dor do abandono, com o drama, as lágrimas e todas as lembranças. Eu que era mulher sua,  a princesa dos teus dias, me tornei passado dentro do meu quarto.
Com o tempo, as noites deixaram de ser infinitas, a dor passou a vir como brisa, o sono retornou e eu voltei a ter dono. Eu me recuperei e mesmo ainda te tendo em mim, sou minha.
O cheiro do teu perfume ainda suaviza o ambiente, mas os teus olhos já não me roubam lágrimas nem brilho. Logo eu que achei que morreria de saudade, hoje percebo que sei brincar com fogo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Da forma errada.

Você deveria ter sido o homem da minha vida. Deveria ser sido o porto seguro mais eficaz do universo. Deveria ter sido muitas coisas, já que tinha uma grande chance não mãos, mas acabou se tornando o exemplo de tudo que eu não quero ser.  Uso a minha força pra tentar passar por cima da dor, dor que já deveria ter sumido ou já ter deixado meu corpo imune. Mas eu te amo mesmo! Acredito que nunca consiga deixar de amar. Mas teu amor me destrói por dentro, me sufoca e oprime. Um estranho amor.
A presença amedronta e a ausência parece ser a melhor solução do mundo. O meu colo me deixou cair no chão. A segurança me deixou tremer de medo. A paz me apresentou o caos.  A companhia me deixou sozinha. Você me limitou e destruiu.
Ao amor que deveria ter sido o exemplar, eu procuro a distancia. O coração já não aguenta e o corpo ainda indo pelo mesmo caminho. O meu primeiro amor nasceu errado, cresceu torto e sozinho. Infelizmente não consegui cura-lo.
Acredito que ele viva pra sempre, longe de você e apenas em mim. Vai me ensinar a ser melhor, vai ser o que me permitirá nunca ser um amor que machuca.
Mesmo sem você plantar o meu amor floresceu. Floresceu e morreu sem ser colhido.
Hoje ele é cansado e precisa existir em outro canto. Eu estou fraca e preciso me reconstruir em outro lugar.

Adeus.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Catarina


Ele gostava de dizer o nome dela. Catarina. Nome de mulher forte, mulher que ele queria pra si. Ela não gostava do nome dela, achava serio demais. Preferia “Cá”. Cá de Catarina, só que mais suave.
- Não fala meu nome inteiro, parece que esta brigando comigo. Lembra-me a mãe do papai, dizia meu nome inteiro sempre que podia.
Ele dizia Catariana em voz baixa e pausada, dizia por gostar da forma como a boca mexia. Ca-ta-ri-na. Ela era mulher complicada. Enganava facilmente pelo seu jeitinho ‘suave de ser’. Não tinha freios nem donos.
O pai escolheu Catarina e a mãe apenas apelidou de Cá. A mãe queria suavidade e o pai queria força... E ela tinha os dois.
João era calmo e a idolatrava. Ele estava em segundo plano na história, ele era quem gostava mais ou quem gostava sozinho.
Eles não eram um casal. Ela era a Catarina e ele era um carinha de nome pequeno e fácil de lembrar. Às vezes passava a noite na casa dele, ele era um cara legal pena estar apaixonado e viver repetindo o nome dela. Ele afirmava ser lindo, o melhor nome que já ouvirá. Ela queria ser Cá, mas ele insistia em Catarina. Ela nunca chegou a dormir. O sexo era legal, mas ele não acompanhava o ritmo dela. Ele dormia ela via televisão e tinha inspiração pra desenhos. Ele funcionava com um calmante, um detalhe discreto, mas importante na arte dela. Cá nunca disse isso pra ele e não tinha planos de dizer. A paixão de João era um peso que ela tentava levar. As coisas eram boas, mas ele estragou tudo. Ela sempre afirmou que sentimentos confundem estômagos, fazem mãos tremerem e ela é artista... Precisa de serenidade. Nas vezes que precisava dele ela ligava e o usava. - Entenda o usar da forma que preferir.
Não iria dormir enquanto não acabasse um esboço que começou no inicio da tarde. O esboço de uma paisagem que nunca ficaria pronta. Talvez não dormisse nunca mais. Pensa nele. Não liga. Sabe que a inspiração acabou e que ficar olhando para o papel não vai leva-la a lugar nenhum. Cada sabe seu lugar de fuga.
Escreveu o nome dela numa folha e sentiu-se apaixonado. Tão romântico e latino a espera de sua musa. Tomou cervejas e pensou em trabalho. Pensou no tempo e desejou-a. Catarina. Queria saber escrever, sabia que poderia fazer fortunas se reproduzisse alguém tão perfeito quanto ela. Não mascararia nenhum detalhe, faria uma cópia perfeita e com a mesma boca. Triste mesmo seria descrever os lábios dela... Só quem já teve a sorte de ser acariciado por eles entenderiam tal perfeição. João não escrevia, não desenhava e não falava. Apenas dizia “Catarina” Com toda a devoção do mundo.
Ela não queria ser “Catarina”, queria ser “Cá”. Simples e sem devoção.
Catarina.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A eternidade finita.

Hoje em dia, eu tento me relacionar com ele o menos possível. O melhor seria nunca mais vê-lo, mas ele é o irmão da minha melhor amiga. E o trato mal e a reciproca é sempre verdadeira, mas nos dias de muita saudade, eu evito até olha-lo, faço a mal humorada e evito ficar nos mesmos cômodos. Chego quase a achar graça das piadinhas que ele joga, me chamando de monstro sem educação, e eu morro de rir. Internamente, logicamente.
Gosto quando estamos simpáticos um com o outro, e ele encosta em mim quando fala algo engraçado. Nos raros momentos que ficamos sozinhos, o silêncio era muito intenso, ele me olhava tão fortemente, que o meu ar chegava a faltar. E desde a ultima vez, nós nunca mais tocamos no assunto. No nosso assunto. Eu nunca mais ousei dizer a ele o quanto eu sentia saudade. Eu errei. Ele errou. E algumas pessoas por ai, dizem que o nosso tempo acabou. Ninguém tem certeza do que sinto, e para os mais ousados, que me acusam de mentirosa por afirmar que não o amo mais, eu minto melhor ainda. Por que, veja bem, eu o amo mesmo, e isso me deixa apavorada. Quem nessa vida teve o azar de encontrar o amor da vida da adolescência?
Ele tem uma namorada, menina gente boa, ela me odeia, e isso me faz acreditar que ainda exista vestígios meus dentro daquele peito.
Lembra quando fomos viajar com a turma toda, e decidimos que seria só sexo? A gente sempre assim, achando que se enganar era onda. Não conseguíamos sair do quarto, a vontade de ficar perto um do outro era grande. O tempo todo fingindo que não sentíamos mais nada, e com o passar dos minutos, o sexo virava amorzinho sem que percebêssemos. E foi assim, um amor sem palavras, com carinhos discretos e muitos “eu te amos” presos, como um nó na garganta. Nesse tempo eu vi o quanto é doloroso aprender a segurar um “eu te amo”, a aprendizagem foi tão forte, que eu nunca mais consegui dizer. Aquela semana me faz chorar até hoje.
Eu chorava no chuveiro, e ele dormindo feito uma pedra, exausto. Eu já estava lá a uns trinta minutos, e entrou e eu me virei de costas, pensei que sairia, mas como o sobrenome dele é surpresa, entrou no box, me abraçou forte e cantou pra mim. “Olha, olha nos meus olhos.
Tem um sentimento, uma eternidade, lua, cheia de feitiços
Amei um anjo lindo, que felicidade, amor você nasceu pra mim...”
A agua fria molhava nossos corpos, e eu era aquecida por aquele peito forte... Eu me virei beijando-o, meio desesperadamente, na esperança que minhas palavras fossem entregues assim, boca a boca, e que enfim, ele ficasse. Ficasse e me fizesse ficar.
Ele me tocou de forma suave, me amou de forma firme. Nada foi dito. Eu ouvia teus gemidos como declarações de amor, e quanto mais fundo ele chegava, mais altas eram as minhas juras de eternidade, esse eternidade que nunca chegou pra nós, pelo menos não pra nós dois juntos. Começamos molhados, no meio estávamos secos e transpirando e no fim... No fim nos escolhemos o orgulho e ali foi o mais longe que ele nos permitiria chegar.
Hoje eu estou com muita saudade, ouvindo tudo aquilo que me lembra nós dois. Vejo fotos no computador, pego o celular e penso em ligar pra casa da Babi, quem sabe ele atende... Mas o orgulho nos deixou pra trás, pego uma cerveja, acendo um cigarro e espero passar... Sempre passa.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Irritação.

Se ele pensa que isso vai ficar assim, ele esta muito enganado! Desde quando isso virou bagunça? Chega irritadinho, fala comigo no telefone de qualquer jeito, sem a menor paciência e depois acha que esta tudo bem? É assim que funciona? Eu por acaso sou alguma babaca? Estou louca pra discutir, mas não dar a confiança de ligar! Quem fez merda que corra atrás!
Olha só, ele já esta quase chegando em casa e ainda não me ligou. Postou uma penca de coisas no mural do facebook hoje, esta felizinho. Lindo pra minha cara isso, lindo.
Eu estou pra conhecer alguém que consiga me irritar tanto quanto o Breno, porra! Ele sempre faz essa graça, me irrita muito depois some. E eu fico aqui revoltada o dia todo! Não entendo como pude me apaixonar por esse cara... E entendo menos ainda como isso virou amor.
Hoje eu iria pra casa dele, mas preciso esperar ele se desculpar... Tudo bem, tenho que esperar ele me ligar.
- Bê, já cheguei em casa, tô cansadão, já está vindo?
- Não sei Breno, não sei. Você já esta mais calmo? Pretende ser estupido comigo de novo?
- Bê, não começa cara, se arruma e vem logo. Eu te amo tá? Vou tomar banho e ficar cheirosão pra você. Aqui a gente conversa.
Ele faz pra me irritar, EU SEI! Mas é tenso, eu estou com saudade, muita saudade! Mas eu não vou ceder hoje a gente conversa!
Eu cheguei e ele me pediu um abraço, e só de olhar aqueles olhos, a minha irritação já minha tinha diminuído. E aquele abraço é o melhor do mundo. Eu ainda tentei sair daqueles braços fortes, tentei deixar claro a minha irritação, mas assim que eu abri a boca, você me beijou, mexeu nos meus cabelos, e segurou firme a minha cintura. Meu corpo já estava mole, e você me jogou na parede, me olhou firme nos olhos e disse:
“Estava morrendo de saudade de você, minha bravinha.”
Essa voz parece ter um poder hipnotizador sobre o meu corpo e minha mente, ele me irrita tanto e logo em seguida, consegue me deixar desse jeito, tão calma, tão linda.
Gosto tanto do jeito como você consegue me domar, hoje de manha eu era uma louca revoltada, resmungona e que fala sozinha, e agora eu sou essa menininha calma, tão aconchegada em teus braços. O teu carinho faz os meus dias valerem a pena. O cheiro da sua pele, esse cheirinho de banho, esse cheiro de Breno, age em mim como um calmante.
- Amor, por que você me irrita assim?
- Julia, por que você é tão teimosa e cabeça dura?
- Eu perguntei primeiro.
- Você se irrita por tudo, e eu abuso disso você, adoro quando você entra aqui toda cheia de atitude e eu consigo domar essa mandona que existe em você. E você acaba assim, feliz e satisfeita... caladinha.
- Você é muito idiota!
- Por isso que você me ama. Vem aqui, deita no peito do homem que te cuida.
E eu deitei, porque eu preciso dele, dessa irritação, dessa loucura toda, desse peito gostoso de dormir, dessa barba que me espeta, desse humor que consegue me deixar em níveis absurdos de irritação. Mas toda a irritação sempre passa, basta eu olhar os teus olhos. Eu acho que te amo mesmo Bê, seu irritantezinho.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto você dormia

Hoje o céu está tão lindo, tão azul. O vento que entra em minha janela espalha o seu cheiro pelo meu quarto e isso faz com que a respiração fique mais agradável. Você está no banho, eu consigo te ouvir cantar daqui, tão lindo. Então você deita ao meu lado, parece uma criança, todo ansioso pelos meus carinhos, como se o meu cafuné fosse umas das melhores coisas dessa vida. É inexplicável como um homem com as costas largas como a sua, consegue parecer um bebê gordinho de seis meses quando está dormindo, tão frágil.
Essa tua mania de cochilo logo depois de acordar, é engraçada, por que o cochilo pós-sono, sempre fira sono profundo de novo. Tanta cama pra se espalhar, mas você quer meu corpo,  quer me usar de cama e travesseiro. E a cada ameaça de despertar, você me cheira, me aperta, como se quisesse ter certeza que não está sonhando. O dia está tão lindo, o vento invade meu quarto, balança minhas cortinas e te arrepia as costas nuas. Vento frio, corpo quente. Eu aqui, de plateia vip, sendo o anjo (teu anjo) que vela seu sono. Sendo o amor que te assiste dormir. Ver o homem que me protege assim, tão vulnerável, tão dependente, tão pequeninho me faz trocar horinhas de sono, de esteira ou de leitura por essa cena linda, teus músculos tão calmos, sua barba tão perfeita de mal feita. Eu vou continuar aqui, te fazendo carinho até você acordar, crescer e se esticar todo na minha cama, tacando tudo que tem nela no chão. O vento sopra e bagunça nossos cabelos, o sol deixa teu olhar mais claro... Você me olha nos olhos, beija meu nariz e diz:
Bom dia sonho meu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Era pra ser com você.


Eu sempre quis me perder ao encontrar alguém, alguém que me roubasse um segundo de respiração, que fizesse meu coração parar por uns instantes. Eu estava sempre querendo me perder, sair de mim, deixar de ser tão louca e apenas me entregar a loucura da paixão, as químicas gostosas que são liberadas pelo meu corpo, me tornando outra pessoa, uma perdida que não liga mais pras suas próprias chatices. Mesmo essa loucura toda só tendo acontecido comigo só algumas vezes, isso que eu achava certo. A loucura toda da paixão, sair de mim, me perder ao encontrar alguém.  Mas quando eu o encontrei, eu sorri. Meu coração não perdeu o compasso, nem o ar me faltou, não fiquei em desespero, nem insegura. Quando eu o encontrei, eu sorri. Eu parei de surtar, eu parei de surtar, ele conseguiu calar até meu lado pessimista, conquistou meu alterego que só se relacionava com a razão.
Eu passei a sorrir mais, não que eu não sorrisse antes, mas sempre faltou alguma coisa, aquele momento que muda tudo sabe, mas eu nem sabia que raio de momento era esse. Sempre achei que fosse a perda de um segundo de respiração, talvez uns cinco, ou quem sabe, uma parada respiratória mesmo. Mas ao contrário disso tudo, eu apenas sorrio. Ando mais simpática, comendo melhor, dormindo melhor, mais bonita... Mais feliz.
Sempre gostei de relacionamentos intensos, e na minha antiga visão de intensidade, pra um relacionamento ser intenso, ele tinha que ser cheio de brigas, gênios incompatíveis e sexo, muito sexo. Quase me envergonho disso. Mas ele chegou com toda a sua calmaria, me encheu de paz, de sorrisos, de intensidade. Essa tal intensidade que eu sempre procurei, mas infelizmente, eu vinha procurando errado. Eu sempre desejei a intensidade feia, a bruta, aquela que machuca. Uma parte de mim a desejava e a outra a repelia. Uma queria se perder, e a outra só queria se achar. E disso, eu ficava só na espera do tal momento. Ele me fez transbordar de felicidade, de amor, de intensidade pura, de sexo lindo, de versinhos rimados no espelho embaçado no banheiro, ele me rir até quando estou chorando. Enchendo minha alma de sorrisos e poesia branda.
Ele me ensinou tanta coisa, fez tanta coisa por mim. Ele não me dá vontade de me perder, ele só me dá vontade de ser melhor. Meu coração nunca bateu tão ritmado, meu folego nunca esteve tão bom, eu nunca estive tão em mim sendo de alguém.
Eu nunca imaginei que isso era assim, que aquele desespero todo não era bom, e que a única coisa que eu queria, era me achar pra ser eu mesma. Lembra aquele momento que eu tanto esperava, nem sem saber o que eu estava esperando exatamente? Eu esperava sorrir ao encontrar alguém, um sorriso de paz. Por que quando eu o encontrei eu não me perdi, eu me achei.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A estrada.

A ideia era assistir o por do sol na estrada, mas eu precisava me manter acordada pra isso. Eu não tinha que dormir, só isso. Estávamos conversando, aqui o assunto sempre fluí. Ele tem a habilidade de me divertir, o dom de conseguir me tirar um sorriso, não importa qual seja a situação. Se eu fosse apaixonada por ele, eu seria bem feliz. Ele de fato é o tipo de cara certo. Quando as minhas músicas preferidas começaram a tocar, ”as suas músicas de gente estranha”, como ele insiste em sempre dizer. Mas mesmo assim, se deu ao trabalho de colocar aqui, só porque eu gosto. Eu passei a sentir mais sono, e quando dei por mim, sentia uma luz forte aquecendo meu rosto, quando abri meus olhos o vi, lindo,  rindo pra mim. Perguntei por que ele não tinha me acordado. Ele disse que não me acordou por que era egoísta, egoísta ao ponto de não querer me acordar só pra poder continuar a me ver dormir. Paramos.  Estava tudo tão lindo. Era um espaço gramado com muita vegetação rasteira, e tudo estava cheio de orvalho. Quis muito fotografar aquele momento.  Ele me abraçou, e sorriu. E eu quis estar apaixonada por ele.
Vamos Cupido, essa é a hora, joga a flecha! Ele é cara! Mas não, nunca rola. O Cupido é meu, mas ele nunca me obedece, acho que essa não uma opção pra ele, de forma alguma. Mas o momento era lindo. Os primeiros raios de sol do dia foram meus, os primeiros olhares do dia, foram meus. O momento era meu, você era meu, e eu também era minha. A única coisa minha que ele conseguiu ter, foram as minhas musicas de gente estranha.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nosso mundo.

E nesse dia você pediu pra eu deixar você entrar no meu mundo.
Estávamos deitados, de conchinha, eu supostamente dormia. Meus pensamentos eram ritmados pela sua respiração. Pensamentos, pensamentos. Seus pensamentos em minha cabeça. Eu pensava e você me aquecia. Eu estava envolvida pelos seus braços, imóvel, calada e atenta. “Acorde! Me faça parar de pensar, me dê segurança!”
Eu deveria estar curtindo isso, essa possibilidade de virar pro lado, te acordar com beijos e fazer amor. Te amar dizendo que amo, entregar meu corpo a você é te confessar que sou tua. Mas não, estou aqui tentando entender o motivo de você ter escolhido logo a mim, fazer uma força muito grande pra tentar entender como alguém pode ter a pele tão cheirosa, e como o meu cheiro junto do seu consegue deixar tudo tão aconchegante.
Querendo conseguir te dizer todos os meus por quês, te explicar minha baixa auto estima e permitir que você me ajude com meus medos... Você respira fundo, me aperta forte e diz, com uma voz firme e mansa:
- Quando você vai me deixar entrar no seu mundo?
Me assustei, tremi, achei que fosse cair. Será que você estava ouvindo o que eu estava pensando? E nessa hora você me abraça mais apertado.
- você já faz parte do meu mundo.
- eu quero fazer parte desse seu mundo, o mundo que você não deixa ninguém entrar.
Me viro e me deparo com teus olhos de calmaria iluminando meus olhos, clareando minhas dúvidas.
- Eu quero ter você!
- Você já tem.
- Eu tenho teu corpo. Teu coração. Eu quero tua mente, tua complexidade, suas dúvidas, seus medos. Quero o seu todo.
Já não sabia o que dizer, não sabia o que pensar. Chorei, por saber que ia te negar, chorei de alivio. Mas os seus olhos me fizeram me sentir tão sua, que sorri.
- O que você acha que tem de tão interessante no meu mundo?
-Você. Eu amo o que é você, o que tem você. Eu quero habitar onde você se esconde.
-Você é lindo, eu te amo.
- Deixe-me entrar...
- Tenho medo, medo de você se assustar  quando ver minhas profundezas.
Me abraçou forte, de frente, nos olhos. Nariz com nariz, me amando. Senti frio,  beijei.
-Você é doido!
- Você é linda.
Eu demorei pra deixar você entrar, mas deixei. Não conseguia me acostumar com essa exposição, com o tempo você me mostrou, me ensinou e agora eu não me imagino sem você em mim, em tudo.
Não tenho mais meu mundo, minhas fugas, tenho o nosso mundo, tenho um porto seguro.