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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Avesso

   Sonhei que alguém entrava no meu apartamento e despertei as três horas da manhã. Quem mais eu poderia achar que seria? Levantei contente e fui te encontrar, eu fui sorrindo, durante esses dez segundos tive alegria, acreditei que você realmente estaria ali e esqueci que você não quis mais fazer parte da minha vida. Eu cheguei na porta e não tinha ninguém. Eu me vi tão descartável ali em pé, sozinha sentindo o maior vazio do mundo, e não importava as formas que tentasse me confortar, nada adiantava. Você não estava ali e era só de você que eu precisava... Daquele sorriso e do beijo na testa. Mas não tinha mais nada, eu estava sozinha na sala olhando pra marca na parede daquele quadro horroroso que você decidiu colocar na minha sala. Mais uma vez ficou claro que você não vinha e eu nem sabia por onde você andava. Eu chorava como se alguém tivesse morrido, gesticulava como se implorasse pra minha cabeça parar de me torturar com tantas lembranças e possibilidades.
   
Deitei no sofá e coloquei a mão sobre o meu peito como uma forma de evitar que ele saltasse dali, meu coração batia forte e a cada batida eu desejava você. Desejava do jeito mais clichê possível. Apenas uma real presença.  Já era mais que claro que você não me ama mais, a sua vida seguiu, você esta em outras, mas eu ainda estou aqui esperando você voltar. Tentei buscar algo com teu cheiro, que fosse palpável e eu pudesse acreditar que aquilo realmente existiu, mas o que não levou, eu destruí. Você continua existindo dentro do meu corpo com tantas lembranças, parece exagero, mas você esta aqui o tempo todo. Como se fosse um fantasma, eu sinto sua presença, e isso faz com que eu fantasie uma realidade que não existe mais. Sou assombrada por alguém que nem sente falta da minha voz.    Ainda tenho vontade de te contar meu dia pra alguém que não me atendeu a ultima vez que eu liguei.
   Minhas humilhações não tem plateia, são coisas silenciosas, desesperos de alguém que está com saudade.  Não importa o que eu faça ou com quem eu tente dormir, é você que esta fazendo falta aqui. Estou faltando um pedaço, aquele que você arrancou de mim quando separava nós dois. Pelo menos me devolve ele. Passei anos ao seu lado, teu espaço foi conquistado. Como você conseguiu abrir mão de nós dessa forma? As coisas não fazem sentido. Sei que não tem como justificar um amor que acabou, mas preciso. Eu preciso seguir a minha vida e parar de acordar de madrugada com um coração feliz achando que você esta chegando. E principalmente parar de pensar em você e eu como se ainda fossemos um casal.
    Eu prometi que não ia mais te procurar, e certamente não vou mais. Não tenho mais espaço pra me magoar com seu descaso. Eu só queria que você sumisse da minha cabeça. E mesmo depois de parar de chorar,  eu ainda estava em pedaços, E eu não me quis daquele jeito. Hoje eu vou sair com a minha cara de quem já supero e como decidi não falar mais sobre você com ninguém, as pessoas conseguem ver uma força em mim. Vou beber e talvez eu consiga te esquecer por umas horas, em outras bocas com certeza, mas meu corpo ainda recusa mãos que não são as suas. Eu insisto, não posso parar de tentar abafar o escândalo que a sua ausência faz dentro de mim. Eu vou aproveitar a noite, pois quando eu voltar você vai continuar não estando aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Lições de amor.

Quando eu consegui entender o que era amor, a primeira lição que tive foi que ele machuca. Nossa como feria algo tão bonito que fazia estragos indescritíveis em um coração tão pequeno.
 Lição numero um: O amor pode te machucar muito.
A segunda lição foi um pouco mais difícil de aprender, pois eu precisava de maturidade pra aceitar aquilo, mão importava o quanto eu tentasse, me mudasse ou insistisse você não ganha amor se humilhando por ele. Não importa o quanto você precise, tem vezes que ele simplesmente não vem.
Lição numero dois: Não adianta se humilhar pra receber amor.
Foram lições muito importantes pra mim, pois dessa
forma eu aprendi a tentar me preservar. Na infância é terrível tentar entender o motivo de não sentir o amor que você acha que merece. Merece por ser criança, ser filho, por ser pequeno. Ele às vezes não vem ou vem de uma forma que não supre o que você necessita. Não existe muito oque fazer, você vai precisar crescer assim mesmo, vai virar adulto e parar de falar sobre essas coisas, é constrangedor assumir que essas carências infantis ainda são tão vivas dentro de nós.
Algumas verdades não precisam ser ditas, palavras que ficam muito tempo dentro do peito se tornam altamente cortantes, ferem o espaço onde habitam e certamente fariam sangram o corpo de quem viesse a ser o receptor da mensagem. Palavras cortam fundo, um corte limpo e preciso, sangra tanto que o corte some em meio a dor a gente nem sabe direito qual lugar precisa da sutura.
Você é adulto agora, ninguém se importa se você se sente abandonado ou desamparado. Você se sente amado? Ninguém liga! A gente pode tomar umas cervejas em momentos de tristeza, rir com amigos, usar alguma coisas pra fazer passar tempo e o desconforto. Mas não esquece, né? Quando somos crianças, as tentativas de chamar atenção não são vistas, quando falamos ninguém escuta. A vida adulta chega e não podemos mais falar sobre isso.
Viramos adultos sem notar e as técnicas adolescentes e idiotas de chamar atenção não são mais justificáveis.  Agora você cresceu, tem uma formação, um emprego e esta pensando em construir família. Parabéns, veja o adulto legal que você se tornou!

Mas fica tranquilo, não vou contar pra ninguém que nas vezes que você precisa de colo, sente a dor piorar por sentir o abandono e a impotência por não poder fazer nada para que isso mude. Segredo nosso. Todo mundo se sente um pouco assim.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Você de novo.

 Poderia ser qualquer um. A campainha toca de um jeito longo e irritante, por meio segundo eu quase reconheci. Os questionamentos vieram de imediato, quem seria?  O porteiro não avisou, não deve ser ninguém, provavelmente a Teresa querendo conversar. Abri a porta sem nem conferir quem era e dei de cara com você. Não um “você qualquer”, você que era meu e que eu ainda sou sua. Você na minha porta com um olhar pacifico e eu pé, me segurando na porta porque o chão provavelmente iria se abrir sob os meus pés.
 Eu não consegui dizer nada, já que eu passei meses me treinando pra conseguir não chorar todo dia, a não te ligar pedindo pra voltar toda semana. Eu precisei me ensinar a recolher todos os meus caquinhos pelo chão e começar de novo, então eu não sei o que dizer. Claro que eu gostaria de abraçar você e sentir o cheiro e a temperatura da sua pele, beijar teu rosto inteiro, sentir a textura da barba e do cabelo. Conferir se as cicatrizes dos cravos já sumiram. Questionar se você anda se alimentando direito. Explicar detalhadamente como te arrancar da minha vida tem sido uma tarefa difícil pra caramba. Pois cada vez que eu tento, você se agarra em mim e eu preciso machucar minhas lembranças pra me livrar delas. E quando finalmente consigo arranca-las, percebo que não quero tira-las de mim. Então eu me seguro mais firme na porta e pergunto: O que você esta fazendo aqui? Vim te ver. Eu precisava.
 Precisava me ver. Logo agora. Logo hoje. Como o Fernando te deixou subir? Não pode querer me ver, não pode surgir assim de novo. Não pode chegar sem avisar. Meu cabelo está horrível, tenho certeza. Esse é o pior pijama! Eu não sei o que fazer, não sei o que responder e estou morrendo de medo. Medo da sua falta de certeza, medo de saber o motivo que te trouxe aqui. Medo de deixar você me tocar e sentir todo o meu corpo desmoronar, medo de deixar você entrar e o teu cheiro nunca mais sair do meu sofá, ou então, que o teu fantasma acabe preso nas minhas paredes. To com medo de abrir a boca e chorar até amanha, de confessar minha humilhante saudade e assumir em voz alta que estou perdida pra caralho desde quando você me deixou. Um medo absurdo de te ouvir. Medo de ouvir o som da sua voz ecoando pelo meu apartamento. Sua voz de verdade e não aquela que eu tento expulsar da minha cabeça.

Sei que vou acabar estragando tudo. Não vou conseguir ser forte e eu não quero te implorar pra ficar, pra voltar ou pra pelo menos ficar esta noite, e você fica ai me olhando com essa cara de quem quer entrar. Veja bem, eu já te deixei entrar uma vez e olhe onde estamos agora...

terça-feira, 27 de maio de 2014

As cores


Sinto saudade da poesia

que era como brisa
acalmando os meus dias.

Poesia que escondia sonos
derramava lagrimas sutis 
mas sempre, sempre, sempre
mantinha minha alma calma.

A vida me sorriu amor
amor que sempre existiu aqui
como um desenho perfeito.

Quando a poesia calou
o cinza roubou as cores.
Pelo reflexo triste no espelho
senti a alma sem calma.

Minha cabeça angustiada
Aguarda as cores
e a paz da poesia. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Brincar com fogo.

Jurei que morreria de saudade nas primeiras noites que passei sem você. Não era sem o teu corpo ou a tua voz, era uma ausência definitiva, você não era mais meu. Por um descuidado do destino eu ainda era sua, e como você não existia mais na minha vida, eu fiquei só.
As noites se tornavam infinitas, o sono fui substituído por lembranças boas e uma necessidade sem fim de entender onde eu comecei a te perder. Você não estava mais ali.
O corpo inquieto e confuso, parecia buscar o teu afago e eu não conseguia conter o meu inconsciente.
Por inúmeras vezes pensei em te ligar e implorar um pouco mais, me humilhar um pouco mais e algumas vezes eu o fiz. E o tom da sua voz piedosa, me partia um pouco mais.
Me tranquei a dor do abandono, com o drama, as lágrimas e todas as lembranças. Eu que era mulher sua,  a princesa dos teus dias, me tornei passado dentro do meu quarto.
Com o tempo, as noites deixaram de ser infinitas, a dor passou a vir como brisa, o sono retornou e eu voltei a ter dono. Eu me recuperei e mesmo ainda te tendo em mim, sou minha.
O cheiro do teu perfume ainda suaviza o ambiente, mas os teus olhos já não me roubam lágrimas nem brilho. Logo eu que achei que morreria de saudade, hoje percebo que sei brincar com fogo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Quase...

Espero por dias em que eu passe quase perto da sua rua e não me sinta quase completamente sua, ou quase completamente vazia sem você.
Você deixou de fazer parte dos meus assuntos de bar, mas insiste em ser meu assunto de bêbada.  A lembrança do teu olhar quase me atravessa a alma, me arranca um pedaço e me faz chorar. Mas eu sou forte, fiquei bem melhor depois que a insônia passou e eu queimei tudo que tinha o seu cheiro. Eu precisava te arrancar de mim, o teu cheiro me enlouquecia e eu te procurava sempre que caia no sono. Quase enlouquecedor.
Eu sou quase feliz, estou quase bem, quase em outra, e volta e meia quase te ligo antes de dormir. Mas eu não sou culpada! A culpa é do trajeto do meu ônibus. Ele passa quase perto da sua rua e alimenta a minha vontade de te ver.
Talvez eu esteja louca, mas certamente eu ando morta de saudade! Saudade de como você sabia anular a existência de tudo que me tirava o sorriso, das orelhas, do jeito de umedecer os lábios. Saudade de achar que você era meu. Ou quase.


Espero pelo dia em que eu não te veja em outros corpos, que eu não lembre mais o seu cheiro e nem a textura do seu travesseiro, que eu perca seu endereço e que eu não precise mais do “quase” pra tentar deixar a minha situação menos patética.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Invasor da minha solidão.


Talvez eu precise de um pouco do silêncio da tua presença, do barulho do seu sono e do banho. A paz que me vinha ao ouvir seus barulhos em outro cômodo. Te sentir ali comigo, mesmo que passasse o tempo todo sem dizer nada.
Catar as tuas bagunças, guardar o leite e colocar as meias dentro dos sapatos. E aquele sorriso no canto dos lábios que me vinham quando você me surpreendia de alguma forma.
Preciso de espaço! Do espaço que insistia em roubar do teu armário, espaço que eu usava pra infiltrar um pouco mais as minhas coisas no meio das suas, do espaço que eu tinha quando invadia teus banhos com toda a minha má intenção.  Ou então, eu só precise do espaço que eu tinha na sua vida.
Quem sabe eu precise recomeçar. Assim, recomeçar de onde parei. Como naquela tarde, que caminhávamos pela rua e eu me equilibrava no meio fio. Você me fez rir, eu perdi o equilíbrio e cai. Rimos mais ainda e você me ajudou a recomeçar. Recomecei ouvindo o som da tua risada como motivação.
Preciso de espaço dentro do teu espaço, entende?
De uma gargalhada que seja fruto de uma bobeira sua, de sentir minha pele arrepiada por um toque seu ou de limpar o espelho embaçado por causa dos teus banhos escaldantes.
Minha vida se tornou algo banal, repleta apenas dos meus silêncios. O casual entra, umas bebidas, cigarros, bares e um ou outro corpo. Mas nada disso consegue chegar perto de completar meus silêncios.
É uma necessidade quase angustiante! Faz falta onde não deveria fazer. Você acabou se metendo onde não devia. Sua respiração está fazendo falta no silêncio do meu quarto. A roupa que roubei de você já não tem mais o teu cheiro, esse cheio da tua pele que tinha o poder de acalmar até o meu mais profundo medo.
Eu aprendi a viver sem a tua presença ativa, sem a tua voz, brigas, conversas e tudo mais. Você não foi justo, se meteu na minha solidão. Existe muito de você no meu vazio. Como seguir se meu silêncio precisa de você?


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O desenho dele.

Os desenhos não fluem com tanta facilidade, a ponta do lápis toca a folha branca e seus olhos encaram fixamente o papel quase virgem.
O corpo esta presente, mas a mente navega em outro plano, numa dimensão onde a vida é simples e a brisa é sempre fresca. Uma lágrima solitária rola pelo rosto enquanto a ponta do lápis machuca o papel. Quando ela finalmente percorre todo o rosto e cai na folha de papel, o pensamento até então contido invade a sala como uma ventania. A inspiração chega e arrepia a nuca, o coração batia acelerado e as mãos trabalhavam com afeto enquanto a mente tentava não lembrar. O rosto de João nascia naquele papel vindo de uma lembrança fresca, os lábios dela diziam "João" com a delicadeza de um peito que machuca por saudade.
Ela pensava e até conseguia ouvir a voz dele dizer "Ca-ta-ri-na", "Catarina", como se realmente ele estivesse olhando pra ela com aqueles olhos sempre afetuosos, como se aqueles lábios quase finos pudessem sorrir de volta, pudessem confortar o corpo e tranquilizar a alma.Ele veio consolar uma dor que ele mesmo causou, veio confortar um coração e segurar o orgulho que impedia as lagrimas de serem livres. 
João, João. Simples e bobo. 
A voz dele parecia invadir o corpo dela, esse corpo que era cheio de orgulhos e medos.
"Catarina. Linda. Minha, mesmo que só na vontade."
O desenho ficou pronto. João sério mas com olhos risonhos, exatamente como fazia quando estava prestes a dizer "Catarina" com a devoção.
As lagrimas nasciam em seus olhos num gesto de total desrespeito ao orgulho. Cah chorou sentada, pressionando a ponta do lápis contra o folha de papel até ela quebrar. Acendeu um cigarro e levantou, enquanto João a via partir mais uma vez. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Enquanto eu era tua.



Enquanto eu era tua, não fui de mais ninguém,
 Não por falta de vontade, mas por simplesmente não conseguir.
Como um ato involuntário de recusar tudo o que não era você.
Usando a solidão como esconderijo
Beneficiando-te com a vantagem sobre qualquer outro homem mais interessante que você.

Enquanto eu era tua, andei por outras estradas,
Visitei outros lugares, provei outros sabores e texturas.
Conheci ombros mais fortes que os teus e barbas mais alinhadas.
Passei noites vazias e divertidas, mas nunca encontrei um olhar igual.
Mas sempre acabei sonhando com o teu corpo.

Enquanto eu era tua, não desisti de viver
Encarei o abandono como estimulo e sai pelos bares.
Em dias de sorte eu achava uma boca parecida com a tua
E  beijava por longos minutos imaginando ser você
Mas era sempre oco e meu peito continuava batendo igual.

Enquanto eu era tua, as pessoas não me ouviam dizer teu nome
Esse mesmo nome que soava como poesia em minha cabeça.
Um fantasma vivo que só era visto por mim. Tão assombrada.
Nas vezes que meu corpo falava mais alto, ele tremia de prazer e eu só lembrava do teu rosto.
Um sexo sujo e rápido. Um olho no olho vazio. E eu tão tua.

Enquanto eu era tua, minha alma era preenchida pelo vazio da saudade
Por todas as noites, bares e corpos dessa cidade.
Não consegui namorar mais ninguém, nem dormir em outros braços.
Não sei ser metades, fui completamente tua enquanto fui tua.
Chorei tanto tentando deixar de ser... Que hoje sou minha.

Quando eu não fui mais tua, as estradas ficaram mais belas
Minhas inspirações vieram pela janela e eu pude sorrir melhor.
Quando fui minha,  te guardei num lugar secreto e sem dor.
Ainda sorrio ao lembra de você, o fantasma de olhos lindos que já não assombra mais.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Aos meus


No primeiro momento eu ri, ri numa atitude desesperada, ri querendo acreditar que fosse uma piada. Senti tanto medo e me calei. Calei minha boca e meus pensamentos... eu ouvia minha respiração e sentia meu coração bater. Por alguns instantes eu quis parar a realidade.
Com o tempo a respiração ficou ofegante e as coisas começaram a fazer sentido... um sentido um pouco confuso. Como se a realidade fosse absurda e a verdade fosse mentira.
Eu chorei por desespero de descrença. Consegui bloquear o pensamento e seguir por umas horas. Eu quase esqueci da realidade mas eu sentia a ausência de um pedacinho do meu sobrenome... um pedaço do meu DNA.
Palavras não poderiam consolar corações e as lembranças vinham como fechas.
Antes de dormir eu lembrei os olhos e do sorriso, lembrei quanto eu amava e ainda amo. E senti saudade, saudade dos detalhes e dos carinhos. Eram sempre tão puros que chegavam a dar paz. Algumas pessoas nascem com o dom de fazer o bem só por existir e quem convive com essas pessoas são abençoadas.
Chorei dentro do avião, chorei olhando o céu nublado. Eu via tudo branco e tentava aceitar. Eu não questionei os motivos de Deus. Eu sei que nada acontece sem a Sua permissão.
A coisa piora quando vemos, quando recebemos uma tapa no rosto dado pela realidade. “Aceite e continue vivendo.” A morte é triste pra quem continua vivendo, é dolorosa pra quem vai continuar vivendo e sentindo a ausência.
O que nos resta é agradecer a Deus pelos dez anos de lembranças boas que tivemos e agradecer por termos sido abençoados com um anjo lindo de olhos claros. O tempo é rei e só vai acalmar meu coração.
Eu sei que você esta descansando nos braços do Senhor, servindo a Ele com todos os talentos que foram concedidos a você.
Neste momento, eu uso o meu talento pra te trazer a memoria, pra lembrar teus abraços, sorrisos, afetos... Lembrar tua voz e como você era querida.
Não sei a forma de terminar esse texto, a dor da saudade criou em mim um silêncio que dificulta o nascer desse texto.
Essa é a verdadeira saudade. Sei que ela não sei ser eternada, mas enquanto eu viver nesse corpo que ainda não voltou ao pó, eu sentirei sua ausência e lembrarei dos teus olhos.
Obrigada. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Por falar em saudade...

Mudando de assunto rapidinho, meus seios sentem a falta das tuas mãos. Acho isso muito curioso, como pode uma parte de minha sentir mais a tua falta que outras?
Meus seios se sentem teus mais que as outras partes, como se teu toque fosse o perfeito e minhas mãos não fossem mais dignas de toca-los. Parece de fato absurdo essa saudade toda que ando sentindo de você. A ausência do toque me faz lembrar de tudo, de quase todas as vezes que me tocou, das com suavidade as que me pegou com força. Meu corpo tem a marca das tuas mãos com a suavidade de alguém que sempre me olha com carinho.
O frio não teve pena de mim, passei a tarde perdida em meio aos meus livros, lendo amores e pensando em nós. De todos os temas do mundo eu só consigo pensar em saudade. A semana começou e eu não te dei nenhum beijo de bom dia, ela vai passar e eu não vou poder ir tomar um chopp ou ir ao cinema contigo.
Me deu saudade da estação, de sempre chegar primeiro e na hora de ir embora, ficar enrolando pra ir, só pra poder te curtir mais um pouco. Vir no metro com meu corpo quente e com teu cheiro.
Essa saudade que me aberta num tom de imediato, que me faz chorar como se eu só fosse te ver daqui à anos, são apenas alguns dias, eu sei.
Eu leio e releio seus emails, eu tento abraçar lembranças, eu busco na memoria as coisas que já me disse. Lembro dos teus braços a me envolver e me apertar, como se quisesse ter certeza que eu não iria a nenhum lugar.
Minha cama sente tua falta mesmo sem você nunca ter estado nela.
Dizem que quem tem saudade tem pressa. Eu tenho pressa pra que esses dias passem logo, pra que setembro acabe.
Talvez seja só questão de costume, ou a meus hormônios estejam brincando comigo e causando o suposto exagero, mas eu realmente estou com saudade.
Eu to com saudade do barulho da sua risada, e olha, eu nem sabia que isso era possível.
Sinto falta de todo o seu conjunto, do seu completo. De você. De nós.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Olhos tristes.


Eu acordei tão bonita hoje, eu realmente merecia passar o dia maquiada, merecia ouvir os elogios e olhares que recebi. Minha sombra tinha brilho, o meu blush tinha brilhinhos e minha boca tão rosinha, mas meus olhos estavam tão opacos, tristes, pareciam olhos de vidro. Sabe aquela ausência de brilho que define um olhar que esta com um choro contido? Eu classificaria assim o meu olhar.
Pouco falei, existia um nó tão grande na minha garganta, eu aperto absurdo no meu peito que eu só abria a boca pra soltar aquelas piadinhas acidas, aquele humor amargurado que todos adoram, mas que no fundo é pura tristeza.
Sinto o gosto amargo desse humor na minha boca, essa mesma boca que esta segurando um mundo de sentimentos misturados, essa boca que quer soluçar de tento chorar. Chorar sim, por que também o direito de sentar e se afogar nas próprias lagrimas. Mas eu, a dona dessa boca e de todo o resto, preferi me esconder atrás dessa maquiagem e esconder os meus olhos de tristeza, preferi me calar e fazer os outros rirem com meu humor sádico, daquele tipo que faz piadinha da própria dor, só pra não chorar, só pra provar pra si que aguenta.
Por mim, esse texto nunca seria escrito, ele nasceria na minha cabeça e morreria ao vento, sem nunca ter tido a dignidade de ter um leitor. Mas eu precisei escrever, precisei usar os meus olhos tristes pra chorar, borrei minha maquiagem e estraguei minha mascara. Sou uma mulher, mulherzinha chorando na frente do computador por um motivo que não deveria existir. Esse é o choro de quem não pode fazer nada, só sentar e ficar segurando na minha bandeja de ouro tudo o que eu posso te oferecer, todo o meu melhor e até os meus defeitos, que dependendo do ângulo ficam bonitinhos. Eu to aqui, te aguardando com o meu melhor, só falta você me desejar e vir buscar. Por que eu quero aprender todos os jeitos pra te deixar feliz. Eu já te disse que eu passo seu terno, costuro suas meias e até varro sua varanda. Eu te disse que sou sua.
E bem no momento que eu vou retocar a maquiagem, que eu vou retocar o meu sorriso, percebo o quanto é ruim te desejar tanto e ter que esperar, ter que compreender e ver o teu lado, só por que eu não quero que os teus olhos fiquem tristes, assim desse jeito que os meus estão. E isso faz de mim uma boba, uma boba com olhos tristes e tão seus.
Hoje eu disse pra meio mundo que estava bem, hoje eu quase acreditei na minha mentira.
Culpei minha uma suposta dor de cabeça pelo silêncio, mas a dor real era em outro lugar, porem eu nunca teria coragem de assumir. E no fim do dia, agora eu me sinto uma babaca, mas uma babaca que consegue bem aguentar bem o que sente. Uma babaca que não é fraca.
Uma babaca que só quer a segurança de ter aqueles olhos quase negros à dois segundos dos meus e saber que aqueles olhos, agora tão alegres, brilham por mim. 

sábado, 16 de junho de 2012

Só pra saber se você queria ficar.


Eu quis te ligar, só pra dizer que eu estou sentindo um medo absurdo que você suma da minha vida, quis ligar só pra você me confirmar que quer ficar, pelo por enquanto. Eu quis ligar, eu liguei e você não atendeu, meu medo piorou. Meu medo piorou e eu não podia te explicar. Como te explicar? Eu não sei me explicar.
E eu fico olhando pro meu celular, eu fico esperando o barulhinho de sopro que faz meu coração disparar. Eu canso, a ansiedade me comprime e eu coloco o celular no mudo, tenho vontade de desliga-lo. Odeio ser aquela que fica olhando com esperança pra um celular, e odeio muito mais a necessidade repentina de ouvir sua voz. Odeio ser “a que precisa”, apesar de esporadicamente gostar da sensação. Agora eu quero ser precisada de volta.
Só quero que você apareça e me faça ficar normal de novo. Não quero saber por onde esteva, apesar do medo por achar que esteve com alguém. Quero que você apareça ainda hoje.
Na realidade, eu quero dormir, nunca tive coração pra lidar comigo e não é agora que eu deva te culpar. Eu acabei comigo, simples. 

domingo, 10 de junho de 2012

Meus pedaços pela rua.


Hoje eu me arrumei pra você, fiz unhas, cabelo, separei a roupa, fiquei linda pra você. Fiz isso tudo chorando por que realmente achei que seria a ultima vez. Sentei no sofá e chorei de novo, só que dessa vez com mais vontade, eu tinha esperanças que as lagrimas secassem e que quando eu te visse, eu poderia estar linda e com cara de forte.
Fui andando até o metro fazendo força pra manter a classe, eu não iria sair chorando pela rua, mas eu estava com tanto medo de perder você que eu deixei uns pedaços meus caírem pelo chão, não tive tempo pra voltar e buscar, eu estava fazendo muita força pra não chorar.
Eu nem sabia se estava fazendo a coisa certa, se eu realmente deveria até você e me abrir mais um pouquinho, te mostrar mais um pedaço do meu coração de moça. Passei muito digna pelas estações de metro que me levam ao seu bairro, não chorei, mas o caminho foi triste e normalmente ele costuma ser tão feliz.
Cheguei antes de você, como de costume. Eu olhei pra rua e estava chovendo e eu chorei de novo, ali em pé no meio de pessoas estranhas que me olhavam, eu não me importei, estava mais preocupada em me recompor pra quando você chegasse.
Você chegou, eu te abracei com o corpo e te beijei com alma. Fomos de mãos dadas de baixo do seu guarda chuva grande, eu grudada em você e morrendo de medo que você me escapasse pelos dedos. O silêncio era perturbador e fazia toda a força do mundo pra não chorar, então pedi pra você falar sobre qualquer coisa só pra eu ouvir sua voz e parar de ouvir minha cabeça. Você zombou das minhas mãos frias e eu morri de medo que você não fosse mais esquenta-las.
Sentamos e eu me enfiei no teu peito, me aconcheguei e chorei, eu estava com tanto medo de nunca mais ter aquele abraço. Você me abraçava e pedia calma, secava minhas lagrimas que rolavam pesadas pelo meu rosto. Você me beijava e eu sabia que já estava chegando a hora. A minha vontade era de agarrar nas suas pernas e dizer:
Não vai, por favor! Eu estou com medo de você não votar.
Cada lagrima que chorei foi uma frase que não consegui dizer, já que quando choro ele vem e dá um nó na minha garganta. Quando eu chorei sem te olhar é por que a minha cabeça fervia de coisas lindas pra te dizer, daquelas que não você se importa, mas que eu sinto e te escrevo do mesmo jeito. Eu apertava forte tua mão e pedia cigarros. Usei meu humor acido pra fazer piada da coisa toda, mas era só eu te olhar nos olhos que meu coração apertava e ficava morrendo de medo. Eu me agarrada no teu pescoço e chora mais um pouco, dizendo que você não tinha culpa de nada, que a vida é assim existem certas coisas que não dependem de nós.
Chegou a hora e você foi me levar na estação, foi a caminhada mais triste da minha vida. Eu apertava sua mão e sentia mais uns pedaços meus caírem pelo chão. Eu estava a 3 minutos do abraço que poderia ser o ultimo, do beijo que poderia finalizar alguma coisa. Eu já estava morta de vergonha, minha cabeça doía e eu só queria que você ficasse. 

sábado, 26 de maio de 2012

Não tenho um titulo pra esse.


Eu disse que os meus olhos ardiam, deve ser por que chorei grande parte da noite. Não te culpei em momento algum, mas senti muito a sua falta. Não consegui direito me livrar do medo e da culpa, culpa que eu mesma coloquei em mim. Chorei baixinho, alto e até de soluçar, chorei escondido embaixo do travesseiro. Chorei sim, mas sem aceitar as lagrimas. Eu comecei a me culpar por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto (Fazia tempo que eu não chorava por medo de perder alguém.), mas como alguém conseguiria te conhecer sem se apaixonar por você?
Eu comecei sem medo, achando que ia saber lidar. Às vezes eu consigo até acreditar que eu sou forte. A brincadeira ficou seria e eu não consegui mais desder do brinquedo.
Meus olhos ardem e minha cabeça doí de tanto chorar, eu ousaria supor, se é que essas lágrimas eram reais, mas não foi por causa de você. Você só me arranca suspiros e sorrisos. Você me faz rir igual uma boba, sem motivo algum, me deixa feliz.
Mas meu destino brinca de contar sempre a mesma história, brinca de rir de mim. Destino assombrado e repetido.
É bom pensar em você, desejar você e contar os dias pra poder estar nos seus braços. Você é o homem mais incrível que eu já conheci!  Caso seja necessário, não sei de que forma vou te arrancar da minha rotina, principalmente, por que eu não quero tirar você de lugar nenhum.
Gosto de ser sua... Puta ou não. Quando eu estou presa nos teus braços eu me sinto segura.
Não sei ao certo como as coisas serão daqui pra frente, tenho medo de pensar. Mas sei que vou me acostumaria, nunca permitira que o meu verão ressecasse o seu jardim, mas confesso preferir me acostumar a deitar debaixo de todos os planetas com você.
Ontem eu queria devorar sua presença, te queria ao alcance das mãos, braços e pernas. Ontem que queria ser sua de todos os jeitos. E hoje eu continuo desejando te olhar nos olhos e sentir sua pelo suada na minha.
Gostaria de não ter inseguranças pra ter vontade de escrever isso, não queria achar que tenho motivo pra isso, mesmo sem ter ou tendo. Acho que nunca tinha sido tocada da força como você me tocou, você cativou algo em mim.
“Eu não sei ele sabe o que fez, quando fez o meu peito cantar outra vez.” – Chico B.
Preciso me conter e acalmar essa vontade que eu sinto de te fazer feliz, de espalhar sorrisos pelos seus dias e encher a sua vida de poesia, te tocar do jeito mais lindo. Entregar-te meus versos, tão seus. De te mostrar que você é realmente um homem incrível, bem do jeito que eu te vejo, mesmo com meus olhos ardendo.  Não sei o que pensar, já que muito tempo não tivemos e eu me encontro assim, te desejando de tantas formas. Dizem que essas coisas não precisam de tempo exato pra acontecer, mas de qualquer forma, peço desculpa pelos meus excessos, pela intensidade que me escapa pelos dedos, não sei controlar.
Perto de você, meu corpo fica agitado e eu tenho vontade de te rasgar e devorar inteiro, te resumir a um corpo exausto, e eu do seu lado, tão satisfeita e feliz.
As vontades são igualmente intensas, e algumas tão urgentes.
A de te fazer rir, de desafiar teu ego, de te engrandecer, de sentir teus diferentes perfumes, mas todos sempre tão seus. Das caras de doido que faz quando esta pensando em algo.  O desejo de ver a cor dos seus olhos de acordo com a iluminação. De sentir suas mãos me dominarem e desfalecer de prazer nos teus braços, de tremer sem controle com seu corpo pesando nas minhas costas, de ver suas caras, suas mordidas de lábio enquanto eu controlo por cima, te fazendo e sentindo você tremer. Do mesmo jeito que eu desejo dormir e acordar no seu peito, de te dar beijo de bom dia e te esquentar com meu corpo, mesmo as minhas mãos e meus pés sendo frios.
Eu te desejo tanto, e assim de muitas formas. Meus olhos ardem e minha cabeça doi. Sinto-me frágil assim, tão sua.
E por fim peço desculpas, minhas sinceras desculpas. Não queria ser intensa assim, mas não sei ser de outra forma, te entupo de textos, pra te dizer as coisas que sinto. Mais um texto seu, nosso ou de todos. Acho que não sei me expressar bem por outro meio.
Sou alguém que sente demais, e ainda não saber ser tudo aquilo que é.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A eternidade finita.

Hoje em dia, eu tento me relacionar com ele o menos possível. O melhor seria nunca mais vê-lo, mas ele é o irmão da minha melhor amiga. E o trato mal e a reciproca é sempre verdadeira, mas nos dias de muita saudade, eu evito até olha-lo, faço a mal humorada e evito ficar nos mesmos cômodos. Chego quase a achar graça das piadinhas que ele joga, me chamando de monstro sem educação, e eu morro de rir. Internamente, logicamente.
Gosto quando estamos simpáticos um com o outro, e ele encosta em mim quando fala algo engraçado. Nos raros momentos que ficamos sozinhos, o silêncio era muito intenso, ele me olhava tão fortemente, que o meu ar chegava a faltar. E desde a ultima vez, nós nunca mais tocamos no assunto. No nosso assunto. Eu nunca mais ousei dizer a ele o quanto eu sentia saudade. Eu errei. Ele errou. E algumas pessoas por ai, dizem que o nosso tempo acabou. Ninguém tem certeza do que sinto, e para os mais ousados, que me acusam de mentirosa por afirmar que não o amo mais, eu minto melhor ainda. Por que, veja bem, eu o amo mesmo, e isso me deixa apavorada. Quem nessa vida teve o azar de encontrar o amor da vida da adolescência?
Ele tem uma namorada, menina gente boa, ela me odeia, e isso me faz acreditar que ainda exista vestígios meus dentro daquele peito.
Lembra quando fomos viajar com a turma toda, e decidimos que seria só sexo? A gente sempre assim, achando que se enganar era onda. Não conseguíamos sair do quarto, a vontade de ficar perto um do outro era grande. O tempo todo fingindo que não sentíamos mais nada, e com o passar dos minutos, o sexo virava amorzinho sem que percebêssemos. E foi assim, um amor sem palavras, com carinhos discretos e muitos “eu te amos” presos, como um nó na garganta. Nesse tempo eu vi o quanto é doloroso aprender a segurar um “eu te amo”, a aprendizagem foi tão forte, que eu nunca mais consegui dizer. Aquela semana me faz chorar até hoje.
Eu chorava no chuveiro, e ele dormindo feito uma pedra, exausto. Eu já estava lá a uns trinta minutos, e entrou e eu me virei de costas, pensei que sairia, mas como o sobrenome dele é surpresa, entrou no box, me abraçou forte e cantou pra mim. “Olha, olha nos meus olhos.
Tem um sentimento, uma eternidade, lua, cheia de feitiços
Amei um anjo lindo, que felicidade, amor você nasceu pra mim...”
A agua fria molhava nossos corpos, e eu era aquecida por aquele peito forte... Eu me virei beijando-o, meio desesperadamente, na esperança que minhas palavras fossem entregues assim, boca a boca, e que enfim, ele ficasse. Ficasse e me fizesse ficar.
Ele me tocou de forma suave, me amou de forma firme. Nada foi dito. Eu ouvia teus gemidos como declarações de amor, e quanto mais fundo ele chegava, mais altas eram as minhas juras de eternidade, esse eternidade que nunca chegou pra nós, pelo menos não pra nós dois juntos. Começamos molhados, no meio estávamos secos e transpirando e no fim... No fim nos escolhemos o orgulho e ali foi o mais longe que ele nos permitiria chegar.
Hoje eu estou com muita saudade, ouvindo tudo aquilo que me lembra nós dois. Vejo fotos no computador, pego o celular e penso em ligar pra casa da Babi, quem sabe ele atende... Mas o orgulho nos deixou pra trás, pego uma cerveja, acendo um cigarro e espero passar... Sempre passa.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quinta e ultima carta

Essa você vai ler na minha frente, quero ver todas as suas caras.
Meu amor, eu preciso dos teus olhos
das tuas mãos que me auxiliam
do teu cheiro que entranha em tudo que é meu.
Preciso do teu eu, pra que minha poesia fique completa
do cheiro dos teus travesseiros, do seu xixi de porta aberta.
Necessito da sua compulsão em arrumar tudo o que é meu,
 da sua habilidade de podar todos os meus excessos.
Esse teu sorriso que deixa meu espirito calmo,
que faz de mim menos “muito louca”.
Já consigo me imaginar sentada na sua frente, nervosa, como se esse fosse nosso primeiro encontro. Te devorando inteiro, sem fazer a menor força pra disfarçar. Nessa hora, bem agora, você vai morder o lábio inferior, fazendo aquela cara que adoro. Você vai rir pra mim e eu vou rir de você. Nessas cinco semanas, eu percebi que eu posso viver sem você, que eu consigo; Mas sem você a minha vida não é minha, nada fica completo, eu não fico feliz. Eu ficaria só existindo, escrevendo saudades, utilizando suas palavras em meus papeis, sendo sua sem você ser meu.
 Olha só você, tão lindo. Meu anjo ajudador.
Quero grudar em você como uma sanguessuga as avessas, eu vou grudar e te passar todo meu amor, te passar meu sangue, minha vida. Quero te ajudar até nas organizações, quero fazer amor, sexo, mimimizinho, transar, meter, foder contigo em todos os lugares dessa casa, começando bem ai, onde você está sentado. Preciso te olhar nos olhos e deixar você ver o quanto eu sou sua. Não um "ser sua" da boca pra fora, mas um ser sua, de realmente ser um todo, dependente de você.
Eu quis um tempo pra mim, eu fui a busca que algo que me faltava e eu encontrei, curti, me esbaldei com a solidão. Mas sem você, até a companhia da solidão na solidão é chata. Você é meu melhor parceiro de solidão, de multidão... Meu melhor parceiro de vida. Olha pra mim, eu te amo tanto. Cada parte desse corpo está vibrando por estar tão perto de você.
E de tanto pensar em você, descobri que você é perfeito, por que minhas qualidades completam seus defeitos e as suas qualidades completam os meus. Somos perfeitos por que nos fazemos perfeitos. És perfeito por que habitas em mim, e o ato de ser tua moradia, cativa a perfeição em mim.
Deixa essa carta pra lá e vem pra mim
vem voltar pra tua casa,
 vem ser rei dentro de mim.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vontade de você.


Hoje a noite não tem estrelas, está frio e eu me recuso a ir me agasalhar. Frio é psicológico e eu sinto uma vontade grande de entrar na piscina. Vento frio e bolas de chiclete... Ploc. As coisas continuam as mesmas desde o ultimo texto, não tão iguais, já que não estou triste, mas também não estou completamente satisfeita. Sinto tão da criatividade. Todos os dias. Um sundae de morango com muito amendoim ou castanha, como preferir chamar, me veio visitar a mente algumas vezes hoje e me trouxe a memória uma promessa de texto. Essa promessa que eu não sei se vou conseguir cumprir. Textos, textos... Por que vocês têm fugido tanto de mim? Sinto-me tão vazia, sem utilidade. A sensibilidade habita em mim desde as primeiras frases que escrevi na infância. Escrever sempre foi a minha onda, aquilo que faz com que eu me sinta especial. E quando eu não consigo criar, o que eu sou? Alguém que tem um papel, mas não consegue exerce-lo.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Terceira carta

Oi amor, terceira carta, três semanas. Essa semana foi normal, não escrevi nada, essa carta é a primeira coisa que escrevo em sete dias. Tenho sentido muito a sua falta, isso não deve ser novidade, já que na ultima carta, eu só falei disso. Eu estou feliz, menos que antes, mas muito feliz. Cada dia que passa, eu sinto mais saudade, e quanto mais essa saudade cresce, mais a minha felicidade diminui. Minha cama está cada dia maior, ao todo ela já está com dez travesseiros (é, eu comprei mais alguns), mas nada que eu coloque nela, consegue chegar perto de suprir a falta que você faz. Não vou dizer que esta sendo diferente do que eu imaginava, mas confesso que está pior.
 Eu pensei em sexo a semana toda, no nosso sexo, cada dia que passa fica pior. Tenho lido muito, meus pensamentos estão cada vez mais eróticos, então tenho lido pra ver se me distraio um pouco. Quero que fique claro que eu não fiz nada, estou me guardando total pra você, me guardando pra quando eu voltar. Eu poderia te contar os sonhos que tenho tido, alguns que me deram ideias novas, te contar como o meu corpo tem clamado por você, de um jeito que a muito tempo não acontece. E principalmente que estou disposta a te satisfazer de todas as formas possíveis. Mas eu não vou te contar não, não quero ereções desperdiçadas, quero todas só pra mim! Essa semana não aconteceu nada de interessante, meu joelho ainda está um pouco roxo e eu resolvi dar um jeito nessa casa, nossa, isso aqui estava uma verdadeira bagunça. Ouvi muitas musicas, dancei, pulei e sorri.  Sempre quando faço essas loucuras, sei que você vai estar me olhando e rindo, de algum canto, com aquela cada de “Eu te amo tanto, sua louca”. Meu Deus, como eu sinto falta dos teus olhares, sempre tão expressivos, sempre me dizendo alguma coisa, me olhando de um jeito lindo. Sinto falta de ser observada, de ser vista por você. Esse semana, eu tenho me sentido muito linda, muito sexy. Andei de calcinha quase que o tempo todo, desfilei pra você, mesmo sem você estar aqui. Até dançar eu dancei, dancei pra você, me sentindo sua.
Como eu tenho sentido sua falta... Você já deve estar de saco cheio disso. Mas eu te amo, amo muito, sei que você já sabe, e que depois desses anos que estamos juntos, eu já disse isso milhares de vezes, de jeitos, formas e em lugares diferentes.
Essa semana eu comi mal, não tenho tido fome, acho que até emagreci um pouco (estranho, por que achei que fosse engordar), quase pintei meu cabelo de vermelho, quase fiz uma tatuagem... Não precisa fazer cara, ainda não fiz, ainda não... Na realidade, não sei nem se vou fazer. 
Vou escrever um conto erótico, pra eu ler pra você quando eu voltar. Preciso colocar essa energia toda pra fora. Eu poderia te mandar junto com a próxima carta, mas não o farei, já disse que quero todas as suas ereções só pra mim.
Te amo, te quero e te desejo cada vez mais.
Adriana, sua mulher.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Segunda carta.

Oi amor, colei uma foto nossa na parede, nossa que péssimo jeito de começar uma carta. Você deve estar rindo, fazendo que não com a cabeça e pensando: Mas é mesmo uma doida. E agora, você está rindo de novo, mas dessa vez mostrando os dentes, rindo gostoso por que eu sabia o que você ia fazer sem nem mesmo estar perto. Eu te amo. Estou com uma saudade de te dizer isso. Está uma delicia falar sozinha pela casa, sem ter você me perguntando pra quem era aquela falação, pra você ou pra mim mesma. Mas, eu sinto muita falta das nossas discussões pelas vezes que eu estava falando contigo, e você pensando que eu estava falando sozinha, me ignorava. Nossa, como eu ficava revoltada, e você meu amor, ficava tão confuso... Mas no fim a gente sempre ria, morríamos de rir as custas das minhas doideiras e da sua paciência. Já faz duas semanas que estou aqui, confesso estar amando cada dia mais, ando escrevendo bastante, lendo muito e comendo mal, que preguiça de cozinhar só pra mim.
Ah, voltando a nossa foto, á encontrei dentro de um livro que você me deu a uns dez anos atrás, da época que éramos amigos. Você deve se lembrar do dia que a tiramos, por que eu não me lembro. Lembro da época, você com um cabelo super estranho, e eu, magrela com cara de revoltada.  E você vai sorrir e dizer que eu ainda tenho cara de revoltada, e agora, eu estou sorrindo. Como isso acontece hein? Eu acabo te sentindo perto, sempre. Eu te sinto aqui. Na quinta, eu cai no corredor, fui correr e cai. Fique a vontade, pode rir. Eu ia pro quarto e quis ir correndo, eu tinha tido uma boa ideia, e não sei como, mas eu embolei com os meus pés e cai. Fez um barulhão e eu esperei sua risada e só tinha silêncio... Dessa vez eu chorei sem rir, foi triste e eu ainda fiquei com um baita hematoma no joelho. Fui pro quarto mancando, tinha esquecido a tal boa ideia e já estava achando que essa não era uma boa ideia. Quase voltei pra casa, juro. Mas eu pensei melhor, fui dormir.
Eu te amo tanto Vinicius. Te fiz poesias, mas só te mostrarei em casa, na nossa casa. Todas muito bobinhas, algumas te farão rir, tenho certeza. As que eu mais gosto, escrevi chorando e sei que você não ligará muito pra essas. Não se sinta mal por isso.
Neném, eu te amo, te amo, te amo. Sei que você odeia que eu te chame de neném, mas eu estou longe e com saudade, tenho esse direito!
Segunda semana sem você, segunda semana sozinha. Segunda semana sem sexo. Segunda carta.
Esta tudo ficando muito claro pra mim, mas essa clareza esta longe de ser esclarecedora.
Amor, Vi, Neném, Ursinho e todos aqueles apelidos fofos que te irritam, eu te amo.
Mil vezes te amo. Mil beijos.
Sua Adriana, seu amor.