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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Silêncios.

Antes, há algum tempo atrás, eu escrevia como quem fosse morrer, mas eu me encontrava em um lugar muito seguro. Pessoas elogiam minha coragem, e eu nunca conseguia entender. A minha exposição vinha de tudo aquilo que existia na minha cabeça, meus carrascos eram imaginários e os poucos que eram reais não existiam no mesmo mundo que eu.
 “Parabéns por se expor dessa forma, sem amarras com a possibilidade de magoar e principalmente por dar a cara pra bater.” 
Hoje, tendo a liberdade de sentir de verdade o que preciso passar para o papel, eu não consigo me expor. Existo em palavras, mas vivo em silêncios.
As palavras em minha alma entendem perfeitamente o estado do meu corpo, e com isso, elas me “perturbam” mais. Não existem mais textos vagando pela minha cabeça. Por fazerem parte de mim, conseguem entender todo o medo que existe, todo o risco que corremos. Como se ao escrever uma frase, pudéssemos perder o amor. Hoje eu consigo entender toda a covardia do sentir, que sem estar segura, eu não consigo me expor em mais nenhuma linha. Sinto-me como uma fraude, já que a coragem não existiu aqui quando eu realmente precisei.
Corri riscos e preferi calar. Silenciei aquilo que nunca me permitiu ficar sozinha. Hoje sou silêncios. É como estar no lugar mais lindo do mundo e preferir manter os olhos fechados.

Eu calei. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

L.O.R

Eu me perdi pensando nos olhos quase negros
Olhos que me inspiram e dizem tanto
Mas de fato, deles nada sei.
Esse olhar que me acalma e devora
Mas não sei como me vê.
A boca que me fascina, de sábias palavras
Boca de beijo quente, que me perturba os sentidos
Carnuda e macia, que me tira o foco
Mas que nada me diz.
Meu corpo tem marcas deixadas por suas mãos de desejo
Que me apertam e me roubam um segundo de respiração
. Mãos fortes, maiores que as minhas
Tão hábeis, mas que nada me escreve.
Aquele corpo que tanto me diz
Que nada fala
E mesmo assim eu entendo quase tudo
. Musa não sabe ser poeta
Não domina o campo do dizer
Notar, engrandecer e criar.
Os olhos quase negros do homem que eu possuo
 chamo de meu por abuso
Pela posse da minha arte.
Que pelos meus olhos o fiz musa
E pelos olhos dele
que hoje eu escrevo
O homem que possuo não é de falar
apenas Lê, sorri, me abraça e beija.
|E grandes ficamos assim
tão pequenos em minhas palavras,
E para sempre envaidecidos em meus versos.