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terça-feira, 21 de julho de 2015

Você de novo.

 Poderia ser qualquer um. A campainha toca de um jeito longo e irritante, por meio segundo eu quase reconheci. Os questionamentos vieram de imediato, quem seria?  O porteiro não avisou, não deve ser ninguém, provavelmente a Teresa querendo conversar. Abri a porta sem nem conferir quem era e dei de cara com você. Não um “você qualquer”, você que era meu e que eu ainda sou sua. Você na minha porta com um olhar pacifico e eu pé, me segurando na porta porque o chão provavelmente iria se abrir sob os meus pés.
 Eu não consegui dizer nada, já que eu passei meses me treinando pra conseguir não chorar todo dia, a não te ligar pedindo pra voltar toda semana. Eu precisei me ensinar a recolher todos os meus caquinhos pelo chão e começar de novo, então eu não sei o que dizer. Claro que eu gostaria de abraçar você e sentir o cheiro e a temperatura da sua pele, beijar teu rosto inteiro, sentir a textura da barba e do cabelo. Conferir se as cicatrizes dos cravos já sumiram. Questionar se você anda se alimentando direito. Explicar detalhadamente como te arrancar da minha vida tem sido uma tarefa difícil pra caramba. Pois cada vez que eu tento, você se agarra em mim e eu preciso machucar minhas lembranças pra me livrar delas. E quando finalmente consigo arranca-las, percebo que não quero tira-las de mim. Então eu me seguro mais firme na porta e pergunto: O que você esta fazendo aqui? Vim te ver. Eu precisava.
 Precisava me ver. Logo agora. Logo hoje. Como o Fernando te deixou subir? Não pode querer me ver, não pode surgir assim de novo. Não pode chegar sem avisar. Meu cabelo está horrível, tenho certeza. Esse é o pior pijama! Eu não sei o que fazer, não sei o que responder e estou morrendo de medo. Medo da sua falta de certeza, medo de saber o motivo que te trouxe aqui. Medo de deixar você me tocar e sentir todo o meu corpo desmoronar, medo de deixar você entrar e o teu cheiro nunca mais sair do meu sofá, ou então, que o teu fantasma acabe preso nas minhas paredes. To com medo de abrir a boca e chorar até amanha, de confessar minha humilhante saudade e assumir em voz alta que estou perdida pra caralho desde quando você me deixou. Um medo absurdo de te ouvir. Medo de ouvir o som da sua voz ecoando pelo meu apartamento. Sua voz de verdade e não aquela que eu tento expulsar da minha cabeça.

Sei que vou acabar estragando tudo. Não vou conseguir ser forte e eu não quero te implorar pra ficar, pra voltar ou pra pelo menos ficar esta noite, e você fica ai me olhando com essa cara de quem quer entrar. Veja bem, eu já te deixei entrar uma vez e olhe onde estamos agora...

domingo, 24 de maio de 2015

Meu plano.

Após criar um plano complexo e racional eu decidi ser sozinha. Parece coisa de filme, mas foi a minha realidade por alguns anos. Eu não precisava ficar necessariamente sozinha, mas eu não poderia permitir me apaixonar. Eu poderia ficar saindo com o mesmo cara por meses, desde que ele não me despertasse nenhum sentimento além de atração física.
       Eu quase me apaixonei algumas vezes durante o tempo de vigência de plano e fugi todas às vezes. Simplesmente sumi dos pobres rapazes que despertavam alguma reação do meu coração. Algumas vezes eu sumia pra sempre outras só pelo tempo necessário de eliminar aquele projeto que sentimento que ousou querer nascer. Medidas drásticas já foram tomadas, coisas que me envergonha também, mas o plano deveria funcionar a qualquer custo. Se esconder é um plano complicado, você tem 50% de chance de tudo ir bem e 50% de chance da coisa ir mal. Quando tudo vai bem, ninguém vê você e isso é incrível, quando tudo não vai bem, ninguém te vê e isso machuca muito.
      Sou durona, sabe? Procurei isso a vida toda, eu sempre precisei ter o controle da coisa ou pelo menos achar que tinha. Meu coração sempre foi delicado, sabia que não poderia me ariscar de forma inconsequente. A paixão me deixava em frangalhos e eu realmente não gostava da forma como eu me via pequenina e dependente do cheiro de alguém. Aprendi a me bastar. Dormia com 35 travesseiros na cama, dormia fazendo carinho em mim, sentia raiva dos casais apaixonados na rua. Era inadmissível aceitar sorrindo aquela gente esfregando a felicidade na cara da minha amargura. E olha, eu odiava o dia dos namorados com todas as minhas forças.  Isso não me privava das dores antigas, elas ainda me seguravam quando eu me permitia ir um pouco mais além. Eu transava, mas não dormia junto. Meu sexo era apenas meu, eu usava os homens. Sem apego e sem mimimi. Fazia coisas sem sentido e ia embora, apenas ia. Não importava o quanto o cara pedisse pra eu ficar.
       Um dia você se permite a sair do esconderijo ou alguém te tira de lá. Conheci alguém e tudo ia normalmente, eu seguia o meu roteiro e estava segura. Até que um dia acordei apaixonada. O desespero era maior que tudo, meu corpo tremia de medo ao imaginar que toda aquela dor ia voltar, mas eu não consegui fugir. Eu não consegui. Então eu fiquei. “Eu não sei se ela sabe o que fez quando fez meu peito cantar outra vez.” Esse trecho ecoava na minha mente todo o tempo, mas eu abandonei o plano e me expus. Meus passos ainda eram cautelosos e eu sempre precisava ter uma rota de fuga em mente. Tenho acordado apaixonada todos os dias. Acordei com aquela preguiça dominical e senti meu corpo sendo abraçado pelo dele. Mesmo dormindo ele me abraça forte e eu sei que esse é o meu lugar. É o melhor esconderijo que eu poderia encontrar. Eu não sei se era o plano, ele me faz a mulher mais feliz.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Precisar

Assim que acordei, senti a claridade me machucando a retina, o sol estava forte e quente, mas era a sua barba que me espetava as costas. Eu estava presa em seus braços e sem a menor vontade de ir embora, sem o menor anseio de ser livre. Com vontade ou sem, eu precisava ir, o meu tempo é calculado e eu preciso me manter sã.  Não sabia como me desvencilhar daquele abraço. Quanto maior a minha tentativa, com mais carinho eu era presa.
Eu fiz força, controlei minhas vontades e consegui sair dos seus braços sem te acordar. Seu semblante era calmo, dormia em paz sem saber que eu estava prestes a ir embora. Eu calculei o fim e estava prestes a consuma-lo. Fui covarde e não te avisei. Teu olhar tem o dom de me fazer esquecer do mundo, mas veja bem, isso já estava indo longe demais.
Coloquei-me de castigo por ter perdido o controle, por ter esquecido as regras, por estar precisando tanto morar dentro desse abraço. E foi a unica vez que eu entreguei a minha alma e permiti alguém a desbravasse. Entreguei-te meu tesouro e tudo o que tinha de melhor. Mas não aguentei ficar tão exposta desse jeito. Você me olhou diferente e fui essa diferença que me causou tanta dor em sair dos seus braços.
 Fui tomar banho chorando em silencio, desejando com todas as forças que você acordasse e não me deixasse ir. Arrumei minhas coisas, mas antes de sair e finalmente cometer o ato mais covarde da minha vida, eu te olhei e desejei ficar um pouco. Peguei minhas coisas e fui embora, entrei no carro chorando como se tivesse acabado de perder um pedado meu. Percorri todo o caminho de volta pra casa com a sensação de que estava esquecendo alguma coisa. Eu já não tinha mais tanta certeza do que eu estava fazendo, não sabia se eu precisava me privar desse jeito pra estar segura. Mas num ato de coragem ou loucura, eu dei meia volta, passei no mercado e comprei um milhão de mimos, planejei dois milhões de sorrisos e voltei. Cheguei a tempo de te acordar e te fazer sorrir, mesmo estando aos pedaços. O meu mundo caiu em mim e eu nem consegui fugir, voltei por causa desse sorriso e desse olhar.
Estou aqui em pânico e nem posso implorar pra ser cuidada e tratada com cautela. Não posso dizer que estou morrendo de medo e que esta exposição esta me fazendo surtar.
Eu apenas te olho e sorrio, mas meu coração grita:

Por favor, me precisa de volta!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em mim.

Deita no meu corpo e me faz de colchão. Deita no meu corpo e vira meu cobertor. Dorme em mim. Do meu lugar consigo ouvir teu coração bater. Ouço o seu e sinto o meu. Batem em ritmos diferentes, mas na mesma sintonia.
Sinto o movimento da sua respiração, teus músculos relaxados e a sua barba a se mostrar existente quando pinica o meu rosto. Se por um acaso eu encontrasse um cobertor daqueles que abraçam a gente, sabe? E ele fosse o melhor do mundo, mesmo assim eu iria preferir ser a tua cama pra você ser o meu cobertor.
Eu iria preferir sentir tudo isso, mesmo com todo o medo, com todas as travas e coisinhas, minha preferencia continuaria sendo sua. Em ser sua.
O medo existe e ele quase sufoca, mas eu me lembro dos seus olhos e do jeito que você parece precisar de mim durante o seu sono, o jeito como seus olhos sorriem pra mim, como se chega querendo carinho e toda essa vontade que existe em mim de te fazer feliz.
Conversamos em segredo e dentro de um esconderijo o que eu deveria dizer em voz alta, num grito pra qualquer um ouvir, mas eu não disse e não digo.
Um monte de orgulho querendo vencer uma batalha. Mas a guerra já foi perdida. Como sempre, você passou com facilidade por todas as minhas barreiras e muros. E enquanto eu tentava organizar a linha de defesa, você se encontrava com o premio nas mãos e um sorriso no rosto. De forma simples venceu meu jogo e eu nem me dei conta.
Eu travei todos os textos que não deveriam existir, eu calei todas as palavras que não poderiam sair da minha boca. Chorei palavras. Me debulhei poemas e declarações.
Ando engolido algo que precisa sair. Precisa voar e aliviar o meu peito. Tenho curiosidade de ver a sua ao ouvir. Mas eu não digo. Eu travo, me escondo, engulo e calo.

Calo querendo dizer e sem coragem de falar.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Treze de outubro de dois mil e doze.



E quando eu menos esperava... Quando eu já ate tinha desistido... Você apareceu na minha vida. E foi assim, simples como a brisa. Talvez eu não devesse dizer, não sei... Isso é bem constrangedor pra mim. Sinto-me boba, sabe?
 Você já namorou muitas vezes, já se apaixonou muitas vezes e tudo pra mim é novidade. Na minha cabeça, gostar estava diretamente relacionado à sofrer, acho que por isso que eu sempre ficava sofrendo por antecipação.
Achava que ser sozinha era mais seguro, por que quando não se sente nada, nada doí.
Ai você apareceu e eu senti tanto medo, muito mais do que eu te disse e deixei você perceber.
Sentia medo por estar feliz, por ter sorrisos que eram provocados por um certo olhar, pelo teu.
Parece todo um drama, eu sei, dai que vem a minha vergonha. Antes de você eu não sabia que gostar de alguém podia deixar a vida melhor. Poderia me dar vontade de ser melhor.
Por você eu resolvi parar de fugir. Por você eu achei que valia a pena a risco.
Eu não fui a lugar nenhum e esse mérito e teu, esse e todos os outros. Eu sempre tão egoísta, sempre tão dentro da minha bolha... Sempre tão minha. Agora eu quero crescer, ser melhor e foi você que conseguiu me fazer ver essa confiança e vontade que tinha em mim, mas eu não enxergava.
E eu te agradeço assim, por mais um texto. Expondo-me um pouco mais.
Te escrevo por sentir tantas coisas boas por você. E você é o dono dos meus textos tão reais, meus textos felizes. Aqueles textos que minha mente não conseguia criar sozinha. Contigo eu sinto que não preciso me esconder.
Eu gostaria de poder te dizer essas coisas pessoalmente, pra você poder ver nos meus olhos o bem que você me faz.
 Obrigada por ajudar a brotar em mim essa vontade de ser mais, ser melhor.

“É você que tem
 O colo qu'eu
Deito e descanso
É tão teu
Meu coração aflito e manso
É você que tem
 Na pele a luz
Cor da coisa mais segura
Qu'eu já vi
Formar na mácula escura
É você que tem
 Nas tuas mãos
Meu choro de mulher”*

Você me tirou do meu esconderijo.


*Trecho de "É você que tem" - Mallu Magalhães 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um tempo passado

Era mais fácil quando eu era sozinha, não que eu tenha alguém agora, mas antes era mais simples.
Eu dormia todas as noites sozinha e na minha cama cheia de travesseiros. Eu não tinha ninguém mas eu me tinha, continuo sem ter ninguém, mas não me vejo muito por aqui. Não tenho o costume de não me ver, nunca aceitei isso com facilidade. O jogo é divertido, é gostoso, mas eu que estou em jogo, eu que estou ali exposta pra caralho. Eu que espero, que aceito, que entendo, que agrado. Eu que choro, morrendo de medo por não saber de nada.
Eu sou melhor sozinha por que eu cuido de mim, eu sei o que fazer quando eu estou me sentindo.
Sou melhor sozinha por que não gosto de pressionar ninguém, por que não quer ninguém obrigado ao meu lado. É triste quando tudo o que a outra pessoa pode te dar, é pouco pra suprir tudo aquilo que você precisa.
E é mais triste ainda não ter coragem de dizer e aguentar toda a carência sozinha, deitando na cama cheia de travesseiros e sentindo falta de um abraço, passando noites em claro.
Dormindo e acordando sozinha.
E sempre sentindo falta da minha companhia na solidão.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Olhos tristes.


Eu acordei tão bonita hoje, eu realmente merecia passar o dia maquiada, merecia ouvir os elogios e olhares que recebi. Minha sombra tinha brilho, o meu blush tinha brilhinhos e minha boca tão rosinha, mas meus olhos estavam tão opacos, tristes, pareciam olhos de vidro. Sabe aquela ausência de brilho que define um olhar que esta com um choro contido? Eu classificaria assim o meu olhar.
Pouco falei, existia um nó tão grande na minha garganta, eu aperto absurdo no meu peito que eu só abria a boca pra soltar aquelas piadinhas acidas, aquele humor amargurado que todos adoram, mas que no fundo é pura tristeza.
Sinto o gosto amargo desse humor na minha boca, essa mesma boca que esta segurando um mundo de sentimentos misturados, essa boca que quer soluçar de tento chorar. Chorar sim, por que também o direito de sentar e se afogar nas próprias lagrimas. Mas eu, a dona dessa boca e de todo o resto, preferi me esconder atrás dessa maquiagem e esconder os meus olhos de tristeza, preferi me calar e fazer os outros rirem com meu humor sádico, daquele tipo que faz piadinha da própria dor, só pra não chorar, só pra provar pra si que aguenta.
Por mim, esse texto nunca seria escrito, ele nasceria na minha cabeça e morreria ao vento, sem nunca ter tido a dignidade de ter um leitor. Mas eu precisei escrever, precisei usar os meus olhos tristes pra chorar, borrei minha maquiagem e estraguei minha mascara. Sou uma mulher, mulherzinha chorando na frente do computador por um motivo que não deveria existir. Esse é o choro de quem não pode fazer nada, só sentar e ficar segurando na minha bandeja de ouro tudo o que eu posso te oferecer, todo o meu melhor e até os meus defeitos, que dependendo do ângulo ficam bonitinhos. Eu to aqui, te aguardando com o meu melhor, só falta você me desejar e vir buscar. Por que eu quero aprender todos os jeitos pra te deixar feliz. Eu já te disse que eu passo seu terno, costuro suas meias e até varro sua varanda. Eu te disse que sou sua.
E bem no momento que eu vou retocar a maquiagem, que eu vou retocar o meu sorriso, percebo o quanto é ruim te desejar tanto e ter que esperar, ter que compreender e ver o teu lado, só por que eu não quero que os teus olhos fiquem tristes, assim desse jeito que os meus estão. E isso faz de mim uma boba, uma boba com olhos tristes e tão seus.
Hoje eu disse pra meio mundo que estava bem, hoje eu quase acreditei na minha mentira.
Culpei minha uma suposta dor de cabeça pelo silêncio, mas a dor real era em outro lugar, porem eu nunca teria coragem de assumir. E no fim do dia, agora eu me sinto uma babaca, mas uma babaca que consegue bem aguentar bem o que sente. Uma babaca que não é fraca.
Uma babaca que só quer a segurança de ter aqueles olhos quase negros à dois segundos dos meus e saber que aqueles olhos, agora tão alegres, brilham por mim. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Menina.


Sou assumidamente medrosa, nunca escondi isso de ninguém, me envergonho, mas não escondo. O medo ja me privou de fazer varias coisas, muitas mesmo, mais até do que eu tenha coragem de admitir, mas saber que ele me priva, nunca me facilitou a possibilidade de passar por cima dele. Confesso conseguir vencer alguns, mas isso acontece com grandes batalhas internas e assinaturas de termos de responsabilidades. Eu me cobro muito mesmo, sempre o fiz, porque veja bem, em algum momento da minha vida eu achei que se eu não aprendesse a me colocar de pé, ninguém o faria por mim. Eu sei me cuidar, e mesmo que eu precise me sacrificar um pouco pra ficar a “salvo”, eu o farei. Acredito que essa confissão seja sincera demais, sei que pagarei o preço por isso, mas eu já me sinto exposta mesmo, como se meus sentimentos estivessem todos sobre uma mesa, disponível pra qualquer um que se interesse. Sinto-me aberta, como um diário de menina. Diário de menina boa, daquelas se envergonham e piram por coisas banais. E mesmo lutando contra, não sei deixar de me sentir assim.
Não sei que solução me dar, mas meu cérebro continua a me questionar. Eu preciso que ele se cale, que relaxe, que me deixe pensar. Preciso ser racional... 1, 2, 3 respira fundo, pensa...
No fundo sei que não há motivo pra tanto medo, e nem sei ao certo do que quero tanto me cuidar. Sou mulher, mas por dentro sou menina, menina que se esconde nos meus olhos e às vezes, me pisa o coração, faz furdunço no meu estômago e me tira a concentração. Faz as besteiras e depois volta chorando, morrendo de medo. Eu cuido dela, porque ela sou eu, já que tenho medos e desejos de menina num corpo de mulher, corpo de mulher medrosa e orgulhosa, mas que precisa ser forte. Nunca sei como as pessoas lidariam com isso, caso soubessem, eu já me acho uma bobona, e me envergonho tanto disso tudo.
Eu preciso relaxar, deixar rolar, não há risco de mortes e umas lagrimas não causam tanto mal assim. Mas como explicar isso tudo pra alguém? Como explicar que eu tenho medo daquilo que eu não conheço, daquilo que vai além do meu reino e do que eu posso controlar. Relaxar significa deixar as coisas acontecerem e curtir, mas me sinto exposta demais pra parar de pensar se realmente eu estou agindo certo. Não quero mais que o medo me pare, mas não sei como fazer pra impedir que ele continue diminuindo a minha velocidade.
Vejo-me nua, e ainda sim não consigo entender como me despi sem perceber.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Deitada.

Deitada, respirando alto, respirando fundo. A cabeça esta fazendo hora extra hoje, sem tempo nenhum pra relaxar. A mão esta apoiada no peito, por pura medida de precaução, em algum momento, alguma coisa pode saltar dali. Suspiros. Admite estar com medo, um medo bem grande quase que um pavor. Sente uns nós na garganta, no peito e nos olhos, isso explica perfeitamente a dificuldade de se expressar, de sentir e de chorar. Eu consigo ver tudo daqui.
Ela tem medo da instabilidade emocional dele, da instabilidade que o julga ter. Então ela foge, se justifica e sofre. Por não entender a intensidade, por pisar num terreno onde os caminhos não são conhecidos e principalmente, por não ter certeza se vai conseguir controlar isso tudo dentro do maltratado peito. Quando olha em volta, percebe que o domínio não é dela, que as regras não foram escritas pelo seu punho. Mas mesmo assim ela quer, quer sair por ai vivendo as emoções da vida, a espontaneidade de quem age por impulso... Mas ela não sabe, ninguém a ensinou a ser assim.
Eu olho pra ela e vejo a confusão em seus olhos, sinto o medo nas lagrimas caladas, lagrimas que rolam fugidas, sendo eliminadas antes mesmo que consigam ter a dignidade de rolar por todo rosto. Lagrimas ilegais. Ela não quer chorar... ninguém quer ser fraca aqui.
Respira em silêncio, tenta ouvir o coração bater. Pega o celular, quer ligar... Desiste.
O medo habita o seu coração e ele não consegue entender isso, ela é insegura e ele só piora tudo.
Quer desistir, sumir, fugir de tudo aquilo que faz com que os seus sentimentos e emoções saiam do seu controle. Tudo esta muito confuso, e ela só quer aquele peito pra se acalmar. Quer a calmaria de quem causou o desespero. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nosso mundo.

E nesse dia você pediu pra eu deixar você entrar no meu mundo.
Estávamos deitados, de conchinha, eu supostamente dormia. Meus pensamentos eram ritmados pela sua respiração. Pensamentos, pensamentos. Seus pensamentos em minha cabeça. Eu pensava e você me aquecia. Eu estava envolvida pelos seus braços, imóvel, calada e atenta. “Acorde! Me faça parar de pensar, me dê segurança!”
Eu deveria estar curtindo isso, essa possibilidade de virar pro lado, te acordar com beijos e fazer amor. Te amar dizendo que amo, entregar meu corpo a você é te confessar que sou tua. Mas não, estou aqui tentando entender o motivo de você ter escolhido logo a mim, fazer uma força muito grande pra tentar entender como alguém pode ter a pele tão cheirosa, e como o meu cheiro junto do seu consegue deixar tudo tão aconchegante.
Querendo conseguir te dizer todos os meus por quês, te explicar minha baixa auto estima e permitir que você me ajude com meus medos... Você respira fundo, me aperta forte e diz, com uma voz firme e mansa:
- Quando você vai me deixar entrar no seu mundo?
Me assustei, tremi, achei que fosse cair. Será que você estava ouvindo o que eu estava pensando? E nessa hora você me abraça mais apertado.
- você já faz parte do meu mundo.
- eu quero fazer parte desse seu mundo, o mundo que você não deixa ninguém entrar.
Me viro e me deparo com teus olhos de calmaria iluminando meus olhos, clareando minhas dúvidas.
- Eu quero ter você!
- Você já tem.
- Eu tenho teu corpo. Teu coração. Eu quero tua mente, tua complexidade, suas dúvidas, seus medos. Quero o seu todo.
Já não sabia o que dizer, não sabia o que pensar. Chorei, por saber que ia te negar, chorei de alivio. Mas os seus olhos me fizeram me sentir tão sua, que sorri.
- O que você acha que tem de tão interessante no meu mundo?
-Você. Eu amo o que é você, o que tem você. Eu quero habitar onde você se esconde.
-Você é lindo, eu te amo.
- Deixe-me entrar...
- Tenho medo, medo de você se assustar  quando ver minhas profundezas.
Me abraçou forte, de frente, nos olhos. Nariz com nariz, me amando. Senti frio,  beijei.
-Você é doido!
- Você é linda.
Eu demorei pra deixar você entrar, mas deixei. Não conseguia me acostumar com essa exposição, com o tempo você me mostrou, me ensinou e agora eu não me imagino sem você em mim, em tudo.
Não tenho mais meu mundo, minhas fugas, tenho o nosso mundo, tenho um porto seguro.

sábado, 23 de abril de 2011

Uma carta.

E quem vai me salvar de mim?
Quem vai me ajudar a decifrar isso tudo que eu sinto?
Quem vai me acalmar quando eu estiver confusa de tanto pensar?
Ninguém.
Eu não to sabendo de mais nada, isso tem acontecido tanto ultimamente. Não tenho conseguido escrever. Graças a você meus textos estão todos confusos na minha cabeça. Não tenho conseguido escrever nada que preste. Sinto que tem alguma coisa faltando. Alguma coisa que eu não consigo descobrir o que é. Eu realmente, posso ser bem confusa e mesmo sem admitir, posso estar errada as vezes. Eu to com medo, já disse isso milhares de vezes. E eu estou com saudade. Minha vontade era de sair daqui agora ir bater na sua porta, te abraçar depois discutir tudo, tudo mesmo, tudo de uma vez, pra ver se conseguimos ficar um pouco em paz. Eu agora, só queria estar com você. Mas juro que moro de medo de um de nós mudar de ideia. Imagino que na maioria das vezes, você deve me achar uma louca. E na maioria das vezes não deve estar errado.
Por essa e outras, que acho que deveria ficar sozinha. Meu orgulho já nem me afeta tanto assim.
Eu eu já nem sei mais o que escrever, me perdi no meio de tudo. Me perdi de novo. Me perdi em mim, por medo de nós.