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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Brincar com fogo.

Jurei que morreria de saudade nas primeiras noites que passei sem você. Não era sem o teu corpo ou a tua voz, era uma ausência definitiva, você não era mais meu. Por um descuidado do destino eu ainda era sua, e como você não existia mais na minha vida, eu fiquei só.
As noites se tornavam infinitas, o sono fui substituído por lembranças boas e uma necessidade sem fim de entender onde eu comecei a te perder. Você não estava mais ali.
O corpo inquieto e confuso, parecia buscar o teu afago e eu não conseguia conter o meu inconsciente.
Por inúmeras vezes pensei em te ligar e implorar um pouco mais, me humilhar um pouco mais e algumas vezes eu o fiz. E o tom da sua voz piedosa, me partia um pouco mais.
Me tranquei a dor do abandono, com o drama, as lágrimas e todas as lembranças. Eu que era mulher sua,  a princesa dos teus dias, me tornei passado dentro do meu quarto.
Com o tempo, as noites deixaram de ser infinitas, a dor passou a vir como brisa, o sono retornou e eu voltei a ter dono. Eu me recuperei e mesmo ainda te tendo em mim, sou minha.
O cheiro do teu perfume ainda suaviza o ambiente, mas os teus olhos já não me roubam lágrimas nem brilho. Logo eu que achei que morreria de saudade, hoje percebo que sei brincar com fogo.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Invasor da minha solidão.


Talvez eu precise de um pouco do silêncio da tua presença, do barulho do seu sono e do banho. A paz que me vinha ao ouvir seus barulhos em outro cômodo. Te sentir ali comigo, mesmo que passasse o tempo todo sem dizer nada.
Catar as tuas bagunças, guardar o leite e colocar as meias dentro dos sapatos. E aquele sorriso no canto dos lábios que me vinham quando você me surpreendia de alguma forma.
Preciso de espaço! Do espaço que insistia em roubar do teu armário, espaço que eu usava pra infiltrar um pouco mais as minhas coisas no meio das suas, do espaço que eu tinha quando invadia teus banhos com toda a minha má intenção.  Ou então, eu só precise do espaço que eu tinha na sua vida.
Quem sabe eu precise recomeçar. Assim, recomeçar de onde parei. Como naquela tarde, que caminhávamos pela rua e eu me equilibrava no meio fio. Você me fez rir, eu perdi o equilíbrio e cai. Rimos mais ainda e você me ajudou a recomeçar. Recomecei ouvindo o som da tua risada como motivação.
Preciso de espaço dentro do teu espaço, entende?
De uma gargalhada que seja fruto de uma bobeira sua, de sentir minha pele arrepiada por um toque seu ou de limpar o espelho embaçado por causa dos teus banhos escaldantes.
Minha vida se tornou algo banal, repleta apenas dos meus silêncios. O casual entra, umas bebidas, cigarros, bares e um ou outro corpo. Mas nada disso consegue chegar perto de completar meus silêncios.
É uma necessidade quase angustiante! Faz falta onde não deveria fazer. Você acabou se metendo onde não devia. Sua respiração está fazendo falta no silêncio do meu quarto. A roupa que roubei de você já não tem mais o teu cheiro, esse cheio da tua pele que tinha o poder de acalmar até o meu mais profundo medo.
Eu aprendi a viver sem a tua presença ativa, sem a tua voz, brigas, conversas e tudo mais. Você não foi justo, se meteu na minha solidão. Existe muito de você no meu vazio. Como seguir se meu silêncio precisa de você?


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um tempo passado

Era mais fácil quando eu era sozinha, não que eu tenha alguém agora, mas antes era mais simples.
Eu dormia todas as noites sozinha e na minha cama cheia de travesseiros. Eu não tinha ninguém mas eu me tinha, continuo sem ter ninguém, mas não me vejo muito por aqui. Não tenho o costume de não me ver, nunca aceitei isso com facilidade. O jogo é divertido, é gostoso, mas eu que estou em jogo, eu que estou ali exposta pra caralho. Eu que espero, que aceito, que entendo, que agrado. Eu que choro, morrendo de medo por não saber de nada.
Eu sou melhor sozinha por que eu cuido de mim, eu sei o que fazer quando eu estou me sentindo.
Sou melhor sozinha por que não gosto de pressionar ninguém, por que não quer ninguém obrigado ao meu lado. É triste quando tudo o que a outra pessoa pode te dar, é pouco pra suprir tudo aquilo que você precisa.
E é mais triste ainda não ter coragem de dizer e aguentar toda a carência sozinha, deitando na cama cheia de travesseiros e sentindo falta de um abraço, passando noites em claro.
Dormindo e acordando sozinha.
E sempre sentindo falta da minha companhia na solidão.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Primeira carta.

Vinícius,
Depois eu resolvi acabar com tudo, confesso que de certo modo, eu fiquei mais feliz. Não por não viver mais com você, mas por estar vivendo algo realmente novo. Acordar a hora que quero, não precisar fazer café, comer o que eu quiser, não ter que brigar pra poder assistir programas femininos na Discovery H&H. Eu não fazia ideia de como seria bom não ter ninguém pra interromper o meu silêncio, pra desmarcar meus livros. Nunca tinha sido tão livre assim. Antes de você tinha os amigos com quem eu dividia um apê e antes deles, tinham os meus pais. Eu não acho mais toalhas molhadas em cima da minha cama, nem roupas espalhadas pela casa. E agora, eu posso sair espalhando livros e papeis pela MINHA casa. Posso passar quatro horas escrevendo um texto sem ninguém gritando gol, xingando um juiz ou me perguntando onde estão os biscoitinhos. Não quero que pense que fui infeliz ao seu lado, nunca ouse pensar isso. Você foi tudo que eu sempre quis, mesmo com isso citado acima. Sem sombra de dúvida, você foi o mais paciente e o mais compreensivo. Nunca conheci alguém que respeitasse tanto a minha imaginação, que não se sentisse traído pelas minhas historias.
Você me disse que ninguém termina, ou dá um tempo em algo com tantos elogios. Disse isso e sorriu, sorriu bonito. E eu me senti feliz e mais segura por saber que você nem chegou a pensar que existia outra pessoa. Eu sou sua, e você sabia disso. Eu sei que você é o certo, você é o cara, o meu cara... Mas eu tinha que sair, fui sabendo que morreria de saudade.
Na primeira vez que esqueci a toalha na hora do banho, eu te gritei, lembrei que estava sozinha e sorri. Chorei meio que rindo, ou sorri meio que chorando. Resolvi voltar para o chuveiro, rindo e chorando. Deixei a agua bater na minha nuca. Senti saudade. Lembrei de nós. Sabia que se você estivesse aqui, eu te gritaria e você fingiria não ouvir, eu sentiria saia e sairia do banheiro nua, molhada e morrendo frio.  Irritantemente, você estaria na porta do quarto bloqueando a passagem e brigaria comigo e eu riria, você diria que eu ia secar o chão e a gente acabava transando, fazíamos amorzinho de corredor. Eu não sentiria mais frio. Mas de qualquer forma, eu secaria o corredor. Como agora, mas secarei sozinha, sem amorzinho e com frio.
Olha, eu te amo. E espero que você esteja bem. Obrigada por entender as minhas necessidades, por mais estranhas que elas sejam. Obrigada por confiar em mim. Quando você vier aqui, vai ficar doido, isso aqui tá a minha cara, e isso aos seus olhos, significa bagunça. Você nunca veio aqui, mas eu te sinto impregnado por todos os cômodos.
Eu estou bem, estou feliz de um jeito diferente, mas estou vazia de você.
O combinado é uma carta por semana, essa é a primeira de algumas, não sei ao certo quantas.
Eu te amo.
Até.